Dou frequentemente comigo a pensar que quando finalmente chego a algum lado, inevitavelmente começo nesse mesmo instante a partir para o próximo. É a chatice dos ciclos.
Hesitei se haveria ou não de te matar. Acabar contigo de uma vez. Ou se deveria antes perpetuar-te nesse imenso mundo virtual, suspenso no tempo. Mas sou uma criatura de hábitos. E bem sabia que mais cedo ou mais tarde haveria de cá voltar. Página fechada nesse capítulo vida, que outro entretanto teve início e eis que mais uma vez voltamos aos ciclos.
Vamos ver até quando ou até onde ou em que cores se escreve por aqui.
Continuemos, então, em direcção ao próximo porto.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Éolo
Passas por mim e arrepias o meu ser. Soubesse eu pressentir-te e destaparia a minha pele.
Para que pudesse sentir-te, respirar-te e assim te reter em mim. Com todos os teus aromas que, numa carícia muda e quente, me acalentam a alma. Passa por mim com suavidade, sem pressa. Envolve-me nos rumos que já percorreste, nas histórias que trazes contigo, nas cores que já viveste. Rodopia por mim, levanta os meus pés do chão sem contudo me fazeres perder os sentidos. Enleva-me em saudades já curadas de momentos que foram teus. Faz-me parte de ti. Faz-me tua. Assim, quando partires levas um pouco do que sou, do que fui, do que quero ser. Para que também eu possa ser um pouco eterna, tão eterna quanto fugaz é espaço que percorres. Passa por mim…
Para que pudesse sentir-te, respirar-te e assim te reter em mim. Com todos os teus aromas que, numa carícia muda e quente, me acalentam a alma. Passa por mim com suavidade, sem pressa. Envolve-me nos rumos que já percorreste, nas histórias que trazes contigo, nas cores que já viveste. Rodopia por mim, levanta os meus pés do chão sem contudo me fazeres perder os sentidos. Enleva-me em saudades já curadas de momentos que foram teus. Faz-me parte de ti. Faz-me tua. Assim, quando partires levas um pouco do que sou, do que fui, do que quero ser. Para que também eu possa ser um pouco eterna, tão eterna quanto fugaz é espaço que percorres. Passa por mim…
sábado, 13 de agosto de 2011
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Agora não
Talvez um dia, quem sabe? Talvez um dia contorne as perguntas e aceda ao interior de ti. Saiba o que queres sonhar pela manhã e os sentidos que encontras nas palavras soltas. Mas agora não. Suspeito que talvez nunca. O mesmo nunca que nunca se deve dizer porque um nunca é sempre uma promessa perdida.
Deixa-me ficar por aqui, deitada sobre o pensamento vadio, sem rumo. Despida de tempo, lógica ou qualquer outra ordem que queiras impor.
Talvez mais tarde mas agora não.
Deixa-me ficar por aqui, deitada sobre o pensamento vadio, sem rumo. Despida de tempo, lógica ou qualquer outra ordem que queiras impor.
Talvez mais tarde mas agora não.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Quase nada
Foto daqui
O amor
é uma ave a tremer
nas mãos de uma criança.
Serve-se de palavras
por ignorar
que as manhãs mais limpas
não têm voz.
que as manhãs mais limpas
não têm voz.
Eugénio de Andrade
O meu primeiro contacto com este grande senhor foi através deste poema, inscrito num livro que então ia começar a ler. Vinte anos depois continua a ser um dos meus poetas preferidos.
domingo, 3 de julho de 2011
Dos (re)começos
Quando se começa algo que se gosta é muito difícil colocar um ponto final. Talvez seja por isso que prefiro as reticências…
| Foto daqui |
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Dos impossíveis
Há batalhas que demoram anos a serem vencidas. Quando o finalmente o são, deixam não um travo de vitória mas um rasgo de incredulidade. Será mesmo verdade? Consegui(mos)? E de repente o mundo sai do eixo normal e começa a girar em sentido contrário. E um admirável mundo novo surge diante dos olhos.
É preciso agora reaprender a viver com a realidade dos sonhos. Com os nossos impossíveis.
Afinal ainda há tempo para te chamar Alice.
É preciso agora reaprender a viver com a realidade dos sonhos. Com os nossos impossíveis.
Afinal ainda há tempo para te chamar Alice.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Quando sais à rua pela manhã
Respiras profundamente, sentindo os aromas que te rodeiam. E não te dás conta mas fechas os olhos enquanto fazes. Em cadências suaves porque o tempo parou por agora, deixando-te por momentos entregue apenas ao prazer de sentir as fragrâncias que te envolvem. Manténs os olhos fechados. O tempo permanece à tua espera, sem pressa. Sem urgências, que a única urgência é tão-somente parar por uns instantes, a sentir as cores do dia. Ficas assim à porta de casa, quando sais à rua pela manhã.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Do que são feitos os sonhos?
Essa amálgama de desejos, medos e inconstâncias. Esse mundo que pertence a cada um em privado, despojado de lógica aparente e no entanto com um sentido escondido, sempre lá, sempre presente. Apetece-me fechar os olhos e deixar-me embalar pela melodia do impossível. Poisar a cabeça em ti. Sentir o teu respirar. Fazer do teu peito almofada onde me deleito a pensar em coisa nenhuma.
Do que são feitos os sonhos, se não de coisa alguma, coisa tanta, vezes sem conta. E quando adormeces, abraçado a mim, não sei o que sonhas, nem onde te levam os desejos e medos. Sei que por vezes acordo ainda com os teus braços em torno dos meus, o teu corpo junto a mim, a respiração cadenciada com a minha e uma expressão de tranquilidade no rosto.
Do que são feitos os sonhos, se não de coisa alguma, coisa tanta, vezes sem conta. E quando adormeces, abraçado a mim, não sei o que sonhas, nem onde te levam os desejos e medos. Sei que por vezes acordo ainda com os teus braços em torno dos meus, o teu corpo junto a mim, a respiração cadenciada com a minha e uma expressão de tranquilidade no rosto.
Foto daqui
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