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quarta-feira, 11 de outubro de 2017

E o cú lavadinho com água de malvas?

Está instituído, ainda que de forma dissimulada, que todo e qualquer desempregado, das duas, uma:
a) é um malandro que só pensa em coçar a micose;
ou
b) está obviamente e sem hesitação pronto para ludibriar o sistema aka trabalhar por fora, enquanto recebe o subsídio.

Assumindo-se isto, propõe-se à tromba estendida que se trabalhe sendo ressarcido apenas das despesas (contra reembolso de fatura) enquanto se continua a receber de o subsidio, sob a promessa de uma posterior integração (a recibos verdes, obviamente) para valores próximos do salário mínimo nacional.

E assim vamos todos, uns felizes e contentes porque acham que estão a proporcionar oportunidades de trabalho incríveis e se um desempregado não quer é porque obviamente é um malandro que só pensa é andar na boa vida, e outros a achar que isto está a melhorar mas é o caralho que a chulice e a falta de vergonha na cara continuam na mesma.

(sim, eu estou empregada, mas o gaijo não, e estas merdas dão-me cabo da compostura).

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Baseado em factos reais

É bonito ver a solidariedade dos outros em acção. Quem é que nunca ficou tocado pela bondade alheia, genuína e desinteressada? Quem é que nunca teve vontade de seguir algo parecido com os “favores em cadeia” e dar início a uma corrente de actos nobres e sentidos, despojados de reconhecimento público, mas apenas pelo simples prazer de fazer o Bem, promovendo a harmonia e esse sentimento fugaz de felicidade pela realização de uma boa-acção a outros?
Deve ter sido mais ou menos isto que deve ter passado pela cabeça de uma determinada pessoa minha conhecida, quando me resolveu “oferecer” um emprego a tempo inteiro remunerado bastante abaixo do salário mínimo nacional… por ser um favor que me está a fazer.
E eu? Eu primeiro fiquei boquiaberta. Depois tentei assimilar a informação e sobretudo a justificação e por último tive de declinar tão nobre “convite”. Que fazer? Sou uma ingrata, está visto.

(Isto teria graça se não tivesse sido real)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Querido diário

Começo por onde?
Pelo facto de agora sermos 2 os desempregados cá em casa ou por estar com varicela e grávida aos 40 anos?
Por estar ansiosa que este puto esteja cá fora, e já a contar as semanas que ainda faltam e agora, ai que não pode ser, e que o bebé tem de ganhar imunidade para não apanhar também varicela, temos de esperar o máximo de tempo possível até ao parto. Mas como é que nunca teve varicela? 99%  da população já teve, sou médica há tantos anos e é primeira grávida que vejo com varicela. E tem quantos anos? 40? Santo Deus... Sim, sou uma ave rara, uma preciosidade jurássica, ... sou muito original, ou então não, para quê uma gravidez normal, quando há tantas mais emoções que se podem experimentar. Afinal, esta até estava a correr tão bem, apenas há ali um possível pé boto, mas que depois do parto logo se irá avaliar, e uma pessoa até pensa, olha afinal isto até pode ser giro quando não há complicações de maior. Mas não, toma lá morangos e uma comichão desgraçada, corpo todo coberto de borbulhas que é para acordares para a vida. E que vida, que se mais alguém me vem com a conversa de uma porta fechada e da janela aberta leva com um murro nas trombas uma resposta muito pouco diplomática, que eu estou cansada de metáforas bonitas e frases motivacionais sobre mudanças de vida. A única mudança que eu genuinamente gostava era um pouco de normalidade, mas acho que vou ter de me aguentar à bomboca e pensar que, comparado com 2016, 2017 está já a ganhar em adrenalina e emoções e ainda só vamos nos primeiros 12 dias, calma coração, que isto compõe-se, afinal o que seria de mim se isto fosse tudo um mar de rosas? depois ia-me queixar do quê? Humm? Ahhhhhhhhhhh.....estou cansada e vou ali tomar um banho de imersão para ver se esta #$%& desta comichão me passa.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

À consideração da EDP

Tive a infeliz ideia de alterar o horário do bi-horário na outra casa que tenho para alugar. Infeliz, porque na altura nem me ocorreu que teria de ter uma vistoria técnica para alterar o contador, ou seja, uma manhã ou uma tarde perdidas. Os senhores da EDP foram desde logo extremamente incisivos no cumprimento do horário da visita, avisando-me (por mais do que uma vez) que uma ausência do local poderia incorrer num custo de 20€. De maneiras que na data e hora combinadas estava eu plantada na casa, sem outro entretém que não fosse esfregar paredes. E o que eu gosto de esfregar paredes. E lava-las com todos os produto e mais alguns para conseguir desencardi-las. A-D-O-R-O. Sem esquecer dessa tarefa tão inspiradora que é tentar limpar riscos de canetas de uns sofás. Um verdadeiro trabalho de ourives, pena é que seja uma arte em vias de desaparecimento. Tal como a minha paciência. E assim passei eu uma manhã extremamente animada, lavando paredes como se não houvesse amanhã, sendo que a minha energia ia aumentando na mesma proporção da minha irritação. Devo confessar que foi até um momento catártico, já que no fim quase que consegui devolver às paredes a sua cor original.  Original foi também o facto de, para além de suas excelências não terem aparecido e após ter apresentado reclamação, me informarem, de forma muito incrédula, que não me vão creditar 20€, conforme solicitei. Ora bem, se eu tivesse faltado ao agendamento, teria de pagar 20€ a suas excelências. Mas como quem faltou foi a equipa técnica, eu não tenho direito a receber a mesma compensação pelo incumprimento e pelo novo agendamento. Por acaso eu até tenho disponibilidade, mas e se não tivesse? E se tivesse de faltar uma manhã para os receber (que neste caso já vão ser duas?). Esta história da responsabilização é muito bonita quando funciona apenas quando nos convém. Um excelente exemplo de como trabalham os nossos serviços. Estamos entregues à bicharada e condenados a pagar e não bufar. Exmos senhores da EDP, para suas excelências, tenho apenas uma mensagem para vos adereçar: piretes. Muitos.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Eu bem digo

Que as coisas me acontecem sempre em sequências temporais curtas. Ou não se passa nada, rigorosamente nada, e eu sou muito feliz durante esses períodos de tempo, ou acontece tudo e mais um par de botas ao mesmo tempo.

Pois andando eu ainda a refazer-me psicologicamente do meu encontro imediato com a aranha ENORME, que continua desaparecida algures dentro do volante (e nem quero pensar que ela possa estar noutro sitio qualquer do carro, senão então é que nunca mais lá entro), quando somos brindados com um belo exemplar ratídeo que resolveu mudar-se aqui para casa. Portanto, as noites são passadas em branco, enquanto sua excelência anda pelo telhado e nas paredes, ao mesmo tempo que se tenta explicar a uma criança de 4 anos que não consegue dormir por causa dos barulhos esquisitos (Ò mãe, são monstros assustadores, não são?), que tudo não passa de um gato brincalhão que anda a brincar sozinho, e que não há problema…
E apesar de não nutrir pelos ratos o mesmo medo irracional que tenho por aranhas, ainda assim não deixa de ser extremamente desgastante ouvir a noite toda, o xô doutor a roer sabe-se lá o quê e não puder fazer nada para o impedir. Sim, já está todo um arsenal montado para apanhar o intruso, mas também sei por experiências anteriores que isto pode ser tarefa muito difícil e sem garantias de sucesso.
Eu não sou a cat person, mas talvez tenha de me render a eles…

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Albufeira

Já aqui falei disto. As causas são  actuais e conhecidas. Este post também se poderia chamar  Alcântara, Setúbal ou Funchal, ou ...(continuem vocês).

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Vou jogar no euromilhões

- máquina da loiça com distúrbios de personalidade e pensa que é um repuxo de jardim;
- Candeeiro de tecto que pensa que é fonte e pinga abundantemente;
- parquet em 3D
- casa em curto-circuito e sem luz;
- vizinhos de cima negam responsabilidades. Sim, claro, a água sobe por capilaridade, obviamente.
- toma lá uma otite para não dizeres que te dói só a alma;
- tudo no espaço de dois dias que é para não dizeres que é sempre ao mesmo tempo;

Cansei…

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Cúmulo da ingenuidade

Mentirem-te descaradamente e tu não só não percebes como ainda te ofereces para ajudar.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Os passos da imperfeição

Eu não sei o que vai na cabeça dos políticos. Como é que alguém, da esquerda à direita, pode sequer pensar em chegar a primeiro-ministro e não fazer o simples exercício de rever e rectificar todas as situações que sejam “imperfeitas” em termos fiscais? Como é que neste contexto específico de crise, em que tanta, mas tanta gente faz o impossível para atingir a perfeição fiscal (e nem sequer me vou alongar sobre a carga estupidamente pesada de impostos que todos nós pagamos, nem no dever enquanto cidadãos contribuintes de honrar as nossas obrigações) e aquele que deve estar acima de qualquer suspeita, não nos honra com o cumprimento cabal das suas obrigações contributivas? Como é que é possível ser-se tão imperfeito intelectualmente para não considerar que, a partir do momento que se é eleito para um cargo de topo no governo de uma nação, toda a sua vida fiscal e profissional será alvo de análise? Eu estou para lá de estupefacta. Que estamos entregues a uma corja de sanguessugas de privilégios próprios já se sabe há muito, mas a falta de visão de uma coisa tão simples e tão óbvia, causa-me vergonha alheia. Estamos, portanto, entregues a pessoas que consideram que o cargo de primeiro-ministro se coaduna com a existência de “imperfeições” que ao comum cidadão não são admitidas. E é esta displicência que me causa engulhos. Se nem para conseguirem chegar ao topo os políticos se esforçam para alcançar a perfeição, como é que querem que um país acredite que iremos ser conduzidos por gente séria (e também aqui não me vou alongar sobre a honestidade e idoneidade) e capaz de ir até ao limite do possível, se não o são em causa própria?

Há uma frase que ainda hoje é recuperada em jeito de private joke: “era pô-los todos num saco, amarradinhos e bem fechadinho e mandá-los para (inserir conflito armado sangrento do momento)”.

Puta que os pariu.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Às vezes

Dás por ti a pensar que alguém lá em cima tirou o dia para te infernizar. Imagino-o assim a fazer pim-pam-pum e a escolher uma vítima para as suas partidas. Com tantos dias em que os azares podem bater à porta por que raio resolve concentrar tudo num único? Podia brindar-me com uma enxaqueca (daquelas que mal dá para abrir os olhos) hoje, o puto a arder em febre amanhã e uma avaria geral nas telecomunicações noutro dia qualquer. Mas não. Tudo no mesmo dia é que é bom. Ora vamos lá testar os níveis de resistência ao stress aqui da moça. Guess what? Andam nos mínimos. Só espero estar igualmente na calha quando chegar a altura de distribuir surpresas boas, combinado?

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Via Verde ou nem por isso


Não percebo como é que na era do digital, não consigo alterar uma mísera morada na Via Verde por telefone. Como é que isto é possível, sobretudo numa empresa que andou na vanguarda da inovação?! Ó, Xô D. Anna Blue, mas pode fazer isso também através do nosso serviço Via Verde Fácil. Pois sim. Só me falta é a paciência para escrever uma carta ou email, a indicar o meu novo nº de telelé, para que depois me seja enviada uma pass, para eu depois poder registar-me no dito Via Verde Fácil e conseguir finalmente fazer a bendita alteração de morada. E eu, na minha santa ignorância volto a perguntar: como é que na altura do digital, em que se consegue fazer tudo e mais um par de botas na hora pela internet/telefone, eu não consigo fazer uma simples alteração de morada?! E agora, assim de repente lembrei-me da Kodak, não sei porquê.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Ténis de mesa

Se há coisa para a qual não tenho paciência é para ténis de mesa. Sistema informático em baixa: utente paga a taxa máxima. Ping. Contacto com a entidade prestadora de serviços: não fazemos reembolsos. Contacte os serviços médicos do sindicato. Pong. Sem declaração da entidade prestadora a indicar a causa de ter pago a taxa máxima, não há reembolso. Ping. Novo pedido de declaração sobre a causa de não pagamento. Pong. Aguarde pelo envio da mesma. Depois ainda há que preencher 3500 papeis a explicar tuuuuuuuuuudo muito bem explicadinho e esperar para que o pedido de reembolso seja aceite. Ping. E entretanto a malta vai pagando e não bufando. Até ao dia em que se resolve partir a mesa toda. E depois dizem que tenho mau perder.Pong.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Here we go again

Ano em que não tenha de ir às finanças explicar divergências no IRS não é um ano normal. E lá vou outra vez, de papel em riste, mostrar o que me foi enviado pelas entidades competentes e que o sistema diz que não, que não pode ser. A sério, gente, isto cansa. Toooooooodos os anos é a mesma coisa. Já estou a ver que vou ter de esperar outra vez por Agosto para ver a cor dele. Triste sina a minha…

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Coisas do arco-da-velha


Gostava de ser organizada. Encontrar as coisas à primeira sem ter de revirar a casa do avesso quinhentas mil vezes para depois as encontrar num dos sítios mais óbvios, camuflados o suficiente para passarem despercebidos à primeira vista. Às vezes penso que faço isto inconscientemente para elevar os meus próprios níveis de stress e irritabilidade. Uma forma de me manter viva, vociferando impropérios à velocidade com que procuro o que preciso. Logo que a catarse termina, respiro fundo e eis que normalmente vislumbro o que procuro. Normalmente tudo termina em bem, porque no fundo eu sou apenas uma desorganizada organizada. Normalmente. Mas nas poucas vezes em que tal não acontece, o diabo fica atrás da porta. Como hoje.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Escolhas


Estou no desemprego há uns meses. Nunca estive desempregada. Nunca tive de racionar comida ou fazer escolhas entre pagar a conta da luz ou da água. Talvez por isso ainda me sinta uma privilegiada. Mas tenho de fazer cada vez mais opções. Felizmente ainda posso comer bifes com regularidade, escolher o peixe que vou dar ao meu filho e comprar a roupa que ele precisa. Mas se nunca fui de gastar o que não tenho, a verdade é que também sou cada vez mais obrigada a fazer escolhas: escolho não ir ao cinema. Escolho não ter TV Cabo. Escolho não comprar roupa, não comer fora, não sair para um fim-de-semana a dois. E no entanto já o fiz com regularidade no passado. Se me custa? Custa, mas escolho escolher o peixe que vou dar ao meu filho.
Muitas vezes, e cada vez mais, o desempregado é considerado um inútil, um estorvo que anda a ganhar (os que ainda recebem subsidio) sem contribuir para a sociedade. Mas ninguém me perguntou se esta é uma escolha minha. Ou dos milhares que estão na mesma situação. Continuo a concorrer a tudo o que aparece, seja ou não da minha área. Mas se para a grande maioria basta apenas mandar um CV, para os poucos lugares que aparecem na minha área é preciso enviar também os certificados autenticados. Cada autenticação custa 17€. 17€! Sabem quantas postas de peixe consigo comprar com 17€? Muitas. Hoje fui aos correios enviar a documentação para concorrer a dois lugares. Foram 4 certificados. Façam as contas. Eu quero muito sair do desemprego. Mas também quero continuar a dar carne/peixe ao meu filho. E não quero ter escolher entre uma coisa e outra, porque ambas deveriam estar ao meu alcance.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Carta aberta a PPC


Sei que provavelmente nunca irá ler esta carta. Estará decerto mais ocupado a erradicar a pobreza e a substituí-la pela miséria. Os tempos são difíceis, eu sei (não soubesse eu outra coisa), mas temo que o Pedro não o saiba verdadeiramente. O Pedro, embora viva em Massamá, e por essa via se sinta próximo do povo, não sabe decerto o que é não ter um futuro. Não sabe o que é a incerteza de fazer face às despesas crescentes do dia-a-dia quando todas as fontes de rendimento vão secando a pouco e pouco até não haver mais nada. Eu sempre fiz parte da dita classe média. Filha de funcionários públicos, sempre vivi com a firme convicção que trabalhando honestamente, estudando e não dando um passo maior que a perna iria conseguir ter pelo menos um futuro digno. Os meus pais creio que me educaram bem. Incutiram-me os valores certos: honestidade, competência, integridade, perseverança. Mas receio que não me souberam preparar para o mundo em que vivemos, onde o valor do dinheiro se sobrepõe a tudo mais. E sem saber bem como, eis que dou por mim no limiar de uma vivência condigna. Fazendo malabarismos para conseguir pagar os meus bens essenciais e fazer face às contas que todos os meses tenho de honrar, apesar de outros não as honrarem comigo. Ao longo deste ano perdi o emprego depois de meses de salário em atraso. Agora vejo-me novamente em situação idêntica por outra entidade patronal. Dirá o Pedro que são azares desta conjectura, que temos de ter confiança no futuro. Mas receio bem, Pedro, que o banco não vá nessa conversa. A ele não interessa que o meu trabalho não seja remunerado, ou que tenha praticamente de pagar para trabalhar. E eu começo a não saber como dou a volta a isto. E eu, Pedro, faço parte dessa grande fatia de população que estudou, lutou e empreendeu. Criou soluções, rompeu com formas de trabalhar do passado, adaptou-se, reinventou-se. Nunca tive cunhas ou facilitismos, lugares criados de propósito para mim, ou cartão do partido. E é por isso, Pedro, que você nunca irá perceber o que fez a este país. Irá ficar desiludido quando a contestação subir de tom e de repente sentir a Grécia aqui tão perto. Interrogar-se-á sobre o porquê de tamanha ingratidão. Mas sabe, Pedro, é que quando a preocupação passa a ser o que colocar na mesa, temo que os ânimos se exaltem. Mas não se preocupe, meu caro. Você decerto que não irá passar fome. Haverá sempre mais uma empresa pública pronta a acolhê-lo. Nós, como sempre, pagaremos o seu belo salário. Ou não. Porque de tempos a tempos muda-se o paradigma. Pense nisso.

 
Anna Mexilhão Blue

segunda-feira, 12 de março de 2012

Coisas que tendem a tirar-me do sério

Não saber se e quando volto a receber salário. Reduzir as despesas ao mínimo e essencial enquanto a situação não se resolve. Não fazer planos de férias. Aliás, não fazer planos de todo. Pensar 200 vezes antes de comprar o que quer que seja. Derramar lágrimas de raiva de cada vez que tenho de atestar o carro para vir trabalhar (e não, transportes públicos não são, infelizmente, uma opção). Ter um roupeiro cheio de roupa que não serve porque ainda não se perdeu os quilos a mais que a maternidade insistiu em trazer consigo. Partir um dente.
(nada como uma ida ao IPO para relativizar tudo o resto. Tenho saúde. É um cliché. Mas é também o mais importante)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Crónica de uma morte anunciada #2

Se os ratos fossem os primeiros a abandonar o navio, talvez o número de barcos a chegar a bom porto fosse maior.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A Oeste nada de novo

As mesmas pessoas. A mesma mentalidade. O mundo lá fora avança. Discutem-se ideias, ouvem-se vozes contrárias. E às vezes até se muda de opinião. Mas aqui não há espaço para tal. São as mesmas pessoas que moldam as mentalidades, esculpidas à luz de uma sociedade familiar. Desconfiam do novo, sobretudo se não vier embrulhado na segurança do conhecimento habitual.

A Oeste nada de novo portanto.

sábado, 7 de janeiro de 2012

O negócio da Saúde

Vai mal. Quando numa das maiores, mais caras e supostamente melhores unidades hospitalares do país se deixam consultas a meio, há falta de pessoal e reina a desorganização, algo vai mal. Quando existe apenas um enfermeiro para fazer triagem e prestar assistência aos médicos e utentes, algo vai mal. Quando se informatiza o serviço mas depois se deixam os processos pendentes, em que até para pagar quase que é preciso voltar à urgência e refazer todo o circuito porque alguém se “esqueceu” de fechar o “episódio de urgência”, algo vai mal.
Talvez seja melhor começar a administrar aspirinas regularmente ao sector privado. É que as dores de cabeça provocadas por estes maus serviços, que são pagos, demasiado bem pagos para a qualidade de serviço prestada, tendem a aumentar no futuro. É um sintoma que algo vai muito mal no negócio da saúde.