Ando num limbo de sentimentos. Uma parte de mim está adormecida,
calada, quieta. Outra parte em ebulição, desassossegada, desconfortável. Consigo
obter alguma serenidade em pequenos momentos que me concedo enquanto fumo um
cigarro e deixo o pensamento vaguear. Há pouco, cansada de mais um dia em que
pouco acrescentei à vida, derrotada perante mais uma lista de gastos, enquanto
fumava o meu cigarro, comecei a ouvir o cântico “Ave Maria”, que começando de
mansinho, foi ganhando alento e sonoridade até preencher todo o silêncio da
noite. E eu, que nunca encontrei na religião ou na espiritualidade conforto, senti
uma grande serenidade interior enquanto ouvia as vozes femininas a cantá-lo. O
cigarro acabou e eu continuei ali, no meio do escuro do pátio, balançando na
cama de rede enquanto ia ouvindo o coro de vozes. Assim como começou, acabou e
eu voltei para dentro de casa. Continua tudo na mesma. Tese por terminar,
contas para pagar, futuro sem sorrir. Apenas eu fiquei um pouco mais serena. Talvez
deva dar Graças a Maria por isso.
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segunda-feira, 14 de setembro de 2015
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Azimute Sul
E de repente, dás-te conta que há imenso tempo que não
vais à capital. Meses. Mais de seis, pelo menos. E sentes uma grande leveza por
isso. De tal forma que dás por ti a pensar que provavelmente já nem sabes
conduzir no meio de tanta confusão. Longe vão os dias em que diariamente perdia
tempos infinitos, parada no trânsito ou à espera de transporte e aproveitava
para contemplar as últimas tendências (ou não) da moda com quem comigo se
cruzava. Conhecia os atalhos que me eram úteis, os lugares que a Emel ainda não
tinha taxado e até um ou outro arrumador de serviço. Sentia que conhecia o
burburinho da cidade, aquela cadência de barulho. Lembro-me de perceber uma
certa agitação no ar em dias mais mediáticos e isso fazia-me sentir parte da
mol urbana. A minha vida agora é outra. Centra-se aqui, onde estou, longe da
confusão, num ambiente que eu apelidei de ruralidade. Por opção, foi aqui que
escolhi ficar. Aqui onde ainda há ovelhas a pastar, que me acordam de manhã com
o seu balir, onde os senhores usam boina e as senhoras vão às compras de bibe. Aqui
acostumei-me a deixar de ser a Anna para passar a ser a mãe do meu filho.
Poucos sabem como me chamo, mas perguntam-me sempre pelo menino. Eu, que sempre
quis ser anónima, sou por demais conhecida neste meio pequeno, e isso traduz-se
num certo sentimento de pertença ao qual eu me julgava imune. Hoje fui
desafiada para voltar à cidade por uma noite. Tertúlia no feminino. Não há como
recusar. E é neste ponto que me apercebo que há tanto tempo que não rumo à
cidade que desconfio que vou ter de usar o GPS. A Catarina que me indique o
caminho que eu já perdi os meus mapas mentais. Ou apenas os tenha transformado
noutros, mais distorcidos, esfumados pelo tempo. Sabe bem regressar e respirar
outros ambientes. Sair da toca, ver outras cores, outros mundos. Mas sabe-me
ainda melhor perceber que me sinto bem aqui. Somos criaturas de hábitos,
sobretudo aqueles que nos ficam bem na pele.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Guardo os sonhos em caixas de papel
Às vezes volto a estas caixas, finamente escolhidas. Coloridas,
pacientemente feitas em tempos de menor turbulência. Tiro-os um a um.
Espalho-os em cima da mesa. Confiro se aparecem as primeiras marcas do tempo. Desdobro-lhes
os cantos enrugados, sacudo o pó e devolvo-lhes as cores. Alguns, poucos, não
voltam às caixas. Tal como nas gavetas, às vezes é preciso deixar espaço vazio
para ocupar, num equilíbrio que se quer são. É por isso que os guardo em caixas
de papel. Nem saberia onde os colocar senão aqui, onde o tempo vai erodindo os
cantos. Para que eu não me esqueça, de vez em quando, de os resgatar à memória.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Mixed feelings
Algures na memória,
há uma porta que se abre por estes dias. Às vezes tento fechá-la com força, num
estrondo que abafe tudo o resto. Noutras deixo as lembranças vaguearem à solta,
sem castrações. Como se não fossem mais do que simples visitas de passagem, que
param para beber um chá quente e rapidamente seguem o seu caminho. Não sei como
se faz para não deixar morrer as memórias que tão depressa nos assolam como nos
confortam.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Dias assim
Não consigo parar quieta. Imagino vezes sem conta como
estará a correr. Abro o meu e-mail várias vezes, tantas quantas o fecho logo de
seguida. Gostava de acreditar que irá correr tudo da melhor maneira. Que esta
teia de coincidências não terminou aqui, hoje, algures numa sala de reuniões. Porque
queria continuar a acreditar que as coisas boas acontecem mesmo. Sobretudo
aquelas que não planeamos, mas que ainda assim desejámos, muito, que
acontecessem. Hoje é um dia lento. Um dia que demora a girar. A acontecer. E eu
queria tanto que acontecesse…
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Pergunta para queijo #1
Para quando o reembolso do IRS, hum? É que todos os dias
esta alminha vai ao site das finanças ver se há desenvolvimentos, e nada. Ora,
a modos que uma pessoa se aborrece de com tanta falta de dinamismo na
actualização da situação. E, meus amores, em épocas de crise, aliás, sobretudo
em épocas de crise o dinheirinho, o carcanhol, o pilim tem de estar em
movimento e eu como uma cidadã exemplar que sou, quero dar o meu contributo
para a saída desta crise e começar a fazer rolar o dito dinheirinho. Isso e uns
senhores muito chatos que não param de me lembrar que tenho o seguro para
pagar. De maneiras que, assim como quem não quer a coisa, dá para emitir o
reembolso? Mas sem a palhaçada do ano passado em que por conta de um suposto erro
informático não só fui chamada para justificar algo que não me dizia respeito como
ainda tive de esperar até Agosto para ver a cor dele. Dá para este ano ser um
pouco menos sofrido o parto?
Agradecida.
domingo, 27 de janeiro de 2013
Inutilidades
Gosto do silêncio das coisas inúteis.
Tão inúteis como o sentido que lhes dou. E no entanto gosto de saber que
continuam assim…inúteis. Na verdade fiz um esforço para que se transformassem
em inutilidades, para que facilmente delas me pudesse despedir caso o peso
fosse demasiado. E contemplo essas mesmas coisas inúteis, apenas pelo prazer de
saber que a qualquer momento posso deixa-las cair. Sem alarido, sem mágoa, sem
dor. Em silêncio.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Saudades do tempo que ainda não partiu
Saudades de perder tempo a divagar. De perder o sentido, sem
contudo deixar de caminhar. De sentir a leveza do trivial, de ignorar o
relógio, sentido apenas uma brisa a bater-me na face. Tenho saudades de não
pensar em nada, de me deitar sobre uma manta e deixar que as nuvens me contem
uma história. Sem mais nada no pensamento a não ser que talvez vá adormecer
embalada pelo som do mar ou do vento a passar pelas copas das árvores. Pensar
em poesia, nos aromas que embrulharam tantos outros momentos, nas viagens que ainda não fiz ou
em fotografia antigas. Em deixar emergir uma sonolência lânguida, doce, serena.
E no fim, abrir os olhos, espreguiçar-me como um gato vadio, ajeitar as roupa
amarrotada e seguir o meu caminho. Seja ele qual for.
![]() |
| Foto daqui |
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Por cá hoje?
Quando comprei a minha primeira casa, uma das minhas
melhores amigas ofereceu-me uma planta em jeito de inauguração oficial do
tasco. Desconfiando desde logo da minha incapacidade inata para cuidar de um
ser vivo, escolheu cuidadosamente o tipo de planta: ficus-qualquer-coisa, e que
para além de suportar períodos longos sem água estava também associada à boa
fortuna (e aqui também na óptica do vil metal). Curiosamente, andei à procura
de uma imagem da dita planta na net (sim, que apesar do estado vegetativo em
que se encontra este blogue, ainda há por aqui um certo brio na exposição dos conteúdos),
descubro não só que os ficus estão associados às figueiras, coisa que esta
planta decididamente não é, e que árvores da fortuna há muitas, mas isso eu
também já desconfiava. Posto isso, terão (veleidade minha supor que ainda haja
quem por aqui pare) de acreditar que efectivamente tenho uma planta, a qual eu
acredito é um ficus-qualquer-coisa (porque era o que estava escrito na etiqueta)
e que supostamente traz boa sorte e dinheiro (porque acredito na minha amiga). Ora
acontece que, estando eu alampada no sofá, dou com os olhos no estado lastimável
em que se encontra a planta, que segundo a minha amiga seria quase
auto-sustentável, bastando para sobreviver apenas umas meras gotinhas de água a
amiúde. Eu cá não sou bióloga, nem tenho formação em botânica, mas quer-me cá
parecer que aquilo se parece perigosamente com uma planta às portas da morte. E
isto fez-me pensar na evolução das minhas finanças, as quais curiosamente
acompanharam a curva de declínio do meu ficus-qualquer-coisa. Como não há meio
de me sair o euromilhões, então talvez a solução passe por regar a plantar, mas
coisa pouca, que a pequena não está habituada à abundância e nestas coisas é
melhor ir com calma, tudo a bem da saúde da planta, claro, que eu cá posso
perfeitamente continuar a viver do ar. E a gostar muito de plantas, sobretudo
daquelas que sobrevivem a longos períodos de míngua. Um pouco como este blogue.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Deste azul que já foi meu
Conservo a essência dos dias passados. Notas de saudade, aqui e ali, sem mágoa que a pele já se encontra curtida pelo tempo. Restam os aromas e as cores. Os sons do mar revolto em noites de Inverno e pouco mais. Não sei se algum dia voltarei, sabes? Prefiro guardar-te assim, envolta em névoa, escondida debaixo da pele. Parte distante de mim que em mim habita. A lembrar um azul que já foi meu.
quarta-feira, 21 de março de 2012
(Post lamechas e sem qualquer interesse para quem quer que seja para além da minha pessoa)
Ser mãe não é apenas aconchegar-te os lençóis antes de me ir deitar. É inventar mil e uma histórias para conseguir que comas 2 colheres de sopa. Ser mãe é passar a noite a levantar-me para te embalar porque não consegues dormir. É deixar-te cair todas e quantas vezes precisares até que consigas andar sozinho. Ser mãe é fazer-te cócegas na planta dos pés enquanto ris à gargalhada, é fingir que te persigo enquanto gatinhas a uma velocidade louca por entre os móveis. Ser mãe é contar até 10, vezes sem conta, quando resolves espalhar comida por todo o lado e apelar a toda a minha paciência (bem finita por sinal) para contrariar as tuas birras. Ser mãe é aninhar-te a mim enquanto te adormeço ao som das poucas cantilenas que conheço. É ver os teus olhos a mergulharem num sono calmo enquanto agarras a minha mão. Ser mãe é sentir-me impotente para te tirar a dor que sentes nas quedas que dás, reais ou figuradas, presentes e futuras. Ser mãe tem sido um desafio às minhas capacidades de lidar com o que definitivamente não controlo, um papel para o qual não existe preparação. Não há manuais, nem receitas mágicas e o instinto maternal é um conceito que tem tanto de abstrato como de subjectivo, onde cabem todas as inseguranças do mundo. Ser mãe é algo que não se aprende, não se pratica. Na maior parte do tempo navego à vista, por entre muitas dúvidas e poucas certezas. Sei apenas que te dou o melhor de mim, mais do que pensava alguma vez poder dar e fico a pensar que isto do amor maternal não é outra coisa senão dar o melhor de nós mesmos, todos os dias.
terça-feira, 20 de março de 2012
Nunca digo o quanto gosto de ti
Penso sempre que o sabes, que o intuis. Por isso não o digo. Olho-te nos olhos, dou-te um abraço bem forte, deixo-me ficar assim, amparada por ti e em silêncio. Acho que foi sempre assim ou pelo menos é assim que vou guardar na memória. Foram raras as vezes que te disse o quão importante és para mim. O quanto vejo de teu nas linhas que cosem o meu ser. Sei que discutimos muitas vezes, mas no fim nem sequer há uma trégua oficial. Ambos simplesmente sabemos que é assim. Acho que a mãe nunca compreendeu muito bem estes nossos silêncios e muitas vezes os interpretou como distância ou afastamento. Mas tu e eu sempre soubemos que não são precisas mais palavras depois de passada a tempestade. Nunca digo o quanto gosto de ti porque sei que o sabes. Da mesma forma que nunca comemorámos o dia do Pai porque és sempre Pai. O meu Pai. Todos os dias do ano. Ontem dei por mim no fim do telefonema a dizer-te que gostava muito de ti. Já tinhas desligado e sei que não me ouviste. Mas não faz mal. Eu sei que tu o sabes mesmo que eu não to diga.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Éolo
Passas por mim e arrepias o meu ser. Soubesse eu pressentir-te e destaparia a minha pele.
Para que pudesse sentir-te, respirar-te e assim te reter em mim. Com todos os teus aromas que, numa carícia muda e quente, me acalentam a alma. Passa por mim com suavidade, sem pressa. Envolve-me nos rumos que já percorreste, nas histórias que trazes contigo, nas cores que já viveste. Rodopia por mim, levanta os meus pés do chão sem contudo me fazeres perder os sentidos. Enleva-me em saudades já curadas de momentos que foram teus. Faz-me parte de ti. Faz-me tua. Assim, quando partires levas um pouco do que sou, do que fui, do que quero ser. Para que também eu possa ser um pouco eterna, tão eterna quanto fugaz é espaço que percorres. Passa por mim…
Para que pudesse sentir-te, respirar-te e assim te reter em mim. Com todos os teus aromas que, numa carícia muda e quente, me acalentam a alma. Passa por mim com suavidade, sem pressa. Envolve-me nos rumos que já percorreste, nas histórias que trazes contigo, nas cores que já viveste. Rodopia por mim, levanta os meus pés do chão sem contudo me fazeres perder os sentidos. Enleva-me em saudades já curadas de momentos que foram teus. Faz-me parte de ti. Faz-me tua. Assim, quando partires levas um pouco do que sou, do que fui, do que quero ser. Para que também eu possa ser um pouco eterna, tão eterna quanto fugaz é espaço que percorres. Passa por mim…
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Agora não
Talvez um dia, quem sabe? Talvez um dia contorne as perguntas e aceda ao interior de ti. Saiba o que queres sonhar pela manhã e os sentidos que encontras nas palavras soltas. Mas agora não. Suspeito que talvez nunca. O mesmo nunca que nunca se deve dizer porque um nunca é sempre uma promessa perdida.
Deixa-me ficar por aqui, deitada sobre o pensamento vadio, sem rumo. Despida de tempo, lógica ou qualquer outra ordem que queiras impor.
Talvez mais tarde mas agora não.
Deixa-me ficar por aqui, deitada sobre o pensamento vadio, sem rumo. Despida de tempo, lógica ou qualquer outra ordem que queiras impor.
Talvez mais tarde mas agora não.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Do que são feitos os sonhos?
Essa amálgama de desejos, medos e inconstâncias. Esse mundo que pertence a cada um em privado, despojado de lógica aparente e no entanto com um sentido escondido, sempre lá, sempre presente. Apetece-me fechar os olhos e deixar-me embalar pela melodia do impossível. Poisar a cabeça em ti. Sentir o teu respirar. Fazer do teu peito almofada onde me deleito a pensar em coisa nenhuma.
Do que são feitos os sonhos, se não de coisa alguma, coisa tanta, vezes sem conta. E quando adormeces, abraçado a mim, não sei o que sonhas, nem onde te levam os desejos e medos. Sei que por vezes acordo ainda com os teus braços em torno dos meus, o teu corpo junto a mim, a respiração cadenciada com a minha e uma expressão de tranquilidade no rosto.
Do que são feitos os sonhos, se não de coisa alguma, coisa tanta, vezes sem conta. E quando adormeces, abraçado a mim, não sei o que sonhas, nem onde te levam os desejos e medos. Sei que por vezes acordo ainda com os teus braços em torno dos meus, o teu corpo junto a mim, a respiração cadenciada com a minha e uma expressão de tranquilidade no rosto.
Foto daqui
sábado, 27 de março de 2010
Mistral
Lembro-me muitas vezes de ti. Percorres o tempo sem te deteres. Passas uma e outra vez por mim. Veloz. Frio. Indiferente. Tentei encerrar-te num momento. Conter-te. Definir-te. Segurar-te entre os dedos de uma mão nua. Abrigar o teu cheiro na minha memória. Procurei-te por entre marés sardas e ilhas suspensas em névoa. Lá onde o azul se engana e se esconde. Onde se precipita sobre o infinito. Até que por fim vieste. Sentaste-te ao meu lado, silencioso, e percorreste comigo o limite do horizonte. Sussurraste-me ao ouvido baixinho as cores que vestias nesse dia. Eu permaneci quieta. Atenta. Deixando que me envolvesses numa carícia muda onde cabem todas as palavras que não se proferem.
Foto daqui
Foto daqui
quarta-feira, 24 de março de 2010
Oniro
Soltam-se as cores que na noite procuraram refúgio
Guardas os sonhos em caixas de segredos
Que ternamente seguras nas mãos
Por entre paisagens a sépia, ainda acaricias o silêncio
Enquanto pousas no regaço o que sobrou do tempo
Guardas os sonhos em caixas de segredos
Que ternamente seguras nas mãos
Por entre paisagens a sépia, ainda acaricias o silêncio
Enquanto pousas no regaço o que sobrou do tempo
quinta-feira, 4 de março de 2010
Dos bons sentimentos
Dos que não se pedem mas que se soltam sem esperar retorno. Dos que não têm hora ou momento certo para virem ao nosso encontro. Dos que não se escondem atrás de máscaras cansadas e distantes. Dos que se renovam se pedir licença, espaço ou sentido. Dos que nos surpreendem pela entrega minimal, sentida e simples. Dos que nos transportam para lá do nosso pequeno mundo. Dos que nos acolhem no olhar, no riso e no silêncio.
É nestes sentimentos que o tempo se sustenta, quando cansado se senta na beira da estrada…
Foto daqui
É nestes sentimentos que o tempo se sustenta, quando cansado se senta na beira da estrada…
Foto daqui
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
O espaço entre as coisas
Nas palavras que não digo decanto o sumo do ser. Espero-te vazio, espaço lácteo de sentido, preencho-te como sei, sem contudo querer ser apenas ou mais que isso. Não entendo, nem espero vir a fazê-lo. Tomas a forma dos dias, das cores, do tempo. Contenho-te mas não te defino.
domingo, 6 de setembro de 2009
As palavras
As palavras deixam de nos pertencer a partir do momento em que as proferimos. A partir do momentos em vivem para além de nós, nos ecos de quem nos escuta ou lê. E a partir desse mesmo momento já não somos capazes de voltar atrás. O sentido com que o expressamos deixa de nos pertencer. Pode ser adulterado, mal interpretado ou apenas subentendido, mas deixa de ser nosso. Podemos voltar atrás ou avançar, como novas palavras, com novos entendimentos, mas um pensamento desnudado dificilmente voltará a ser invisível. Ele é o espelho de um estado de espírito que embora mutável, num dado momento era apenas e somente aquele. Podemos mudar o pensamento, mas as palavras proferidas deixam sempre de ser nossas para passarem a ser de quem depois as perpetua.
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