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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Ai, o Natal, o Natal...

- Ò mãe, na véspera de Natal não podemos ter os estores da sala para baixo.
- Porquê?
- Se não como é que o Pai Natal sabe que estamos em casa?
(...)
- Mãe, como é que achas que o Pai Natal distribui as prendas? É por ordem alfabética?
(...)
- Mãe, mas como é que o Pai Natal consegue distribuir prendas para todos os meninos ao mesmo tempo? Somos tantos!!
(...)

(Desconfio que este será o último ano em que, algures durante a noite, se ouvirá um som parecido com o das renas a cruzar o céu...)

segunda-feira, 17 de julho de 2017

E que tal agora?

Cravaram-me para escolher umas músicas para colocar nuns vídeos, coisa para se ir fazendo nas calmas, sem stress. Acontece que uma pessoa se põe a ouvir música que já não ouvia há muito e depois começa a ir picando aqui e ali, e não tarda nada já está a ouvir albuns inteiros que já não ouvia há c'anos (abençoadinho youtube) e depois quando dá por si é já madrugada adentro. Claro que o facto de amanhã ser o primeiro dia de trabalho é apenas mera coincidência, afinal eu só tenho até Setembro para ter a lista pronta.

A idade trouxe-me muita coisa, mas sono na véspera de começar um novo trabalho não foi uma delas...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Se a vida te dá laranjas…

Faz um sumo, prepara uma tosta de tomate, queijo e orégãos e senta-te lá fora a almoçar. Escolhe o teu sítio preferido do pátio, deixa que o sol de Inverno te aqueça o corpo enquanto escutas a passarada nas árvores e esquece que lá fora existe um mundo que não faz sentido.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Ave Maria

Ando num limbo de sentimentos. Uma parte de mim está adormecida, calada, quieta. Outra parte em ebulição, desassossegada, desconfortável. Consigo obter alguma serenidade em pequenos momentos que me concedo enquanto fumo um cigarro e deixo o pensamento vaguear. Há pouco, cansada de mais um dia em que pouco acrescentei à vida, derrotada perante mais uma lista de gastos, enquanto fumava o meu cigarro, comecei a ouvir o cântico “Ave Maria”, que começando de mansinho, foi ganhando alento e sonoridade até preencher todo o silêncio da noite. E eu, que nunca encontrei na religião ou na espiritualidade conforto, senti uma grande serenidade interior enquanto ouvia as vozes femininas a cantá-lo. O cigarro acabou e eu continuei ali, no meio do escuro do pátio, balançando na cama de rede enquanto ia ouvindo o coro de vozes. Assim como começou, acabou e eu voltei para dentro de casa. Continua tudo na mesma. Tese por terminar, contas para pagar, futuro sem sorrir. Apenas eu fiquei um pouco mais serena. Talvez deva dar Graças a Maria por isso.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O universo é pequeno demais

Ajoelhei-me à sua frente para ficar à altura dos seus olhos. Ia preparar-me para lhe explicar que naquela noite teria de ficar a dormir em casa dos avós, coisa que, já tendo sido abordada no passado, tinha recusado sempre. Mas antes sequer que começasse, pergunta:
- Mãe, porque estás assim vestida?
- Estou vestida de cores escuras porque estou triste.
- Porque estás triste?
- Porque perdi uma amiga de quem gostava muito.
- Porquê?
- Porque ela partiu para muito longe e eu já não vou poder voltar a vê-la.
Nisto, resolve abraçar-me enquanto me segreda ao ouvido
- Não te preocupes, mamã. Eu vou sempre, sempre, teu amigo. Não fiques triste…

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Dias azuis I

Quis o acaso que tivesse sangue árabe a correr-me nas veias. A ele devo provavelmente o gosto pelo calor e pelos dias de verão, a preferência pelas ervas aromáticas em detrimento dos molhos, a assimilação fácil dos sotaques do sul em vez da dicção mais politicamente correcta da capital. Há alguns dias atrás disseram-me que pensavam que eu era alentejana ou algarvia. Assim fiquei a saber que, para além do coração árabe, transporto também expressões próprias do sul e nunca me tinha dado conta. Vou ao mercado em busca de tomilho e dizem-me que não têm, apenas carqueja e poejo. E eu trago carqueja e poejo. Não sei que vai ficar bem na carne, mas lembro-me que a minha avó tinha sempre carqueja e poejo em casa. Dou-me igualmente conta que há coisas que mudaram. As velhotas já não se sentam à soleira ao fim do dia a ver quem passa e a maioria das casas aqui da rua está hoje abandonada. Passo por elas e ainda me lembro dos nomes de quem lá viveu. A casa no Monte Costa está agora completamente envolta em silvas e abelhas. Já não consigo lá entrar. Ainda assim vou espreita-la a amiúde, numa espécie de peregrinação que só eu entendo. O resto fica guardado na minha memória. Talvez um dia o meu filho herde também o gosto por esta herança imaterial, por este património familiar que não voltará a acontecer. Ou não. Mas enquanto aqui estamos dou por mim a contar-lhe histórias que sei que ainda não entende. Tenho consciência disso, mas sei que alguma coisa ele irá guardar. Nem que seja o cheiro a carqueja. Ou a lembrança da temperatura da água do mar. Ou do calor tórrido que corre por este serro abaixo e nos queima a pele ao chegar. Um dia ele saberá por que razão a mãe retorna sempre a um ou dois sítios perdidos no meio da serra, por que insiste em regressar aqui onde os dias são azuis, mesmo em pleno Inverno. Aqui sinto-me em casa.

sábado, 30 de maio de 2015

Tão bom!

Fazer uma maluqueira, só porque sim. Mandar tudo às urtigas, não ter plano B e não me ralar nada com isso. Seguir apenas a vontade de o fazer, não importa o resto.
Há tanto tempo que eu não soltava as amarras assim...

quinta-feira, 12 de março de 2015

Das coisas que nos tocam

Alguém que nunca vimos pessoalmente e apercebendo-se que tenho o meu filho doente, nos diz que vai correr tudo bem e nos engloba nas suas preces.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Ainda mexe


Ao contrário do que se possa pensar, a autora deste blog não morreu ou entrou de férias. Muito pelo contrário. Por aqui fervilha-se de actividade. Tanta, que mal me tem dado para dormir umas miseras 5h por noite. Trabalho a rodos, parte lectiva do mestrado concluída com muito bom aproveitamento (com direito a convite para publicação de poster em congresso internacional) e uma hipótese de trabalho a longo prazo. O senão é que é em Angola e a minha pessoa não está propriamente com vontade de emigrar para Angola. Angola fica do lado de lá do Equador e não sou pessoa de latitudes sul. Preciso de ter à mão boas escolas, bons hospitais e sobretudo os meus afectos. Para mim não há dinheiro que pague a não convivência com os meus, ainda que esta seja esporádica ou intermitente. Mas tenho de os saber à distância das minhas saudades, sem necessitar de ter de me meter num avião para as curar. Mas enquanto não chega o tempo das decisões vou aproveitando esta maré de bons momentos.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

C'um caneco!

Já me belisquei. Já fui beber água. Já me sentei e levantei umas 30 vezes. Já respirei fundo outras tantas. Já dei umas bofetadas na cara a mim própria só para ver se não estava a sonhar (e confirma-se que não). Já pulei e saltei. Já perdi a concentração por completo e desisti de continuar a escrever o relatório que tinha em mãos. E tudo isto no decurso dos últimos 60 minutos.
Pois, parece que consegui arranjar trabalho! Temporário mas com valores bem acima das minhas mais optimistas expectativas. C'um caneço! YES!!!!! Caramba, que ainda estou a hiperventilar.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Volver

Hoje tive de voltar a percorrer aquele caminho. O mesmo que me acompanhou durante tantos anos. Decorei, com a cadência das passagens, todos os pormenores, todas as linhas, todas as sombras. Durante o tempo em que o percorri deixei-me levar pela entropia e nessa desordem familiar senti conforto. Por momentos era eu que regressava a casa. Esse era o meu caminho. Escolhi a mesma estação de rádio tal como o fazia noutros tempos. A programação contínua idêntica. As rubricas também. Foi ao som de Junip que hoje regressei a casa.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Show me the place

Por vezes sou tocada pela beleza da simplicidade. Perco as palavras, a noção do tempo e começo a percorrer o espaço entre as coisas.
Hoje esta música tomou conta de mim. Parei o que estava a fazer e dei-lhe a minha total atenção enquanto tocava. À medida que sua voz me aconchegava a alma, um longo arrepio percorria o meu ser. Pousei a caneta. Fechei os olhos e deixei que este senhor me mostrasse o que é ser magistral, o que é aliar a melodia à beleza da palavra.
Hoje apaixonei-me outra vez.
Obrigada, Mr. Cohen, muito obrigada.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Quando sais à rua pela manhã

Respiras profundamente, sentindo os aromas que te rodeiam. E não te dás conta mas fechas os olhos enquanto fazes. Em cadências suaves porque o tempo parou por agora, deixando-te por momentos entregue apenas ao prazer de sentir as fragrâncias que te envolvem. Manténs os olhos fechados. O tempo permanece à tua espera, sem pressa. Sem urgências, que a única urgência é tão-somente parar por uns instantes, a sentir as cores do dia. Ficas assim à porta de casa, quando sais à rua pela manhã.

domingo, 23 de maio de 2010

Do silencio #4

Gosto de silêncios. A intensidade faz muitas vezes parte deste espaço de tempo mudo e ainda assim veste-me de cor quando nele habito. Sou pelos silêncios presentes, pelas ausências próximas, pelo pensamento vibrante e sentido. Sou pelo toque na palma da mão, percorrendo com a ponta do dedo todas as linhas da vida. Pelo encontro do olhar suspenso nas palavras que não são ditas. Sou pela tranquilidade, pela calma das horas sem rumo que desfilam sem pressa para terminar. Sou pelos abraços apertados quando tudo o resto é já sabido e sou ainda mais pelos abraços inesperados, sem palavras ou motivos expressos e que de tão intensos e sinceros se agarram a nós para sempre. Sou pela ausência de palavras mas não de sentidos. Pela partilha do indizível. Pelo momento. Sou pelos silêncios.

Foto daqui

terça-feira, 27 de abril de 2010

Se a vida te dá limões...

…faz o que te apetecer com eles.


Tenho andado numa roda-viva nos últimos meses, dividindo o meu tempo entre a capital algarvia e a minha casa. São já tantas as vezes que fiz e desfiz a mala que já nem me dou ao trabalho de arruma-la nos intervalos. Foram muitas noites a fazer directas. Muitos dias a trabalhar sem tempo para ver a luz natural. Muitas viagens à chuva. Agora que é chegada a recta final, o S. Pedro resolveu finalmente colaborar e dar tréguas por uns tempos. Continuo a ter de trabalhar à noite, mas desta vez tenho aproveitado as manhãs para caminhadas na praia e belos banhos de mar. Efeito terapêutico garantido. Sensação de leveza e bom-humor persistente. Se eu podia continuar a trabalhar que nem uma maluca? Podia, mas não era a mesma coisa…

(foto daqui)

domingo, 17 de janeiro de 2010

Do número 2

Dois encontros com quem há muito não via. Dois momentos distintos no tempo. Dois dedos de conversa para pôr alguma coisa em dia. Duas formas de estar completamente diferentes. Duas etapas de vida regidas pela lógica de cada idade. Duas constatações: que estou diferente e que continuo igual a mim mesma. Duas coincidências. A mesma conclusão.

Foto daqui

domingo, 6 de dezembro de 2009

Por vezes...

Por vezes ainda olho para trás, na esperança de te ver. Por vezes sinto-te tão perto, tão próximo, que ao fechar os olhos quase sinto a tua respiração, a tua presença. E nesses momentos deixo-me ficar quieta, muito quieta, tentando prolongar esse instante em que o coração quase esquece a ausência, o pensamento deixa de correr e eu apenas sinto na brisa que me toca o rosto o conforto de te ter tido um dia…


terça-feira, 17 de novembro de 2009

Quietude

A noite está calma. Ao longe extinguem-se as réstias de uma trovoada que a noite teceu. Notícias de casa dizem-me que o Outono chegou em força. Contudo à minha frente tenho as luzes que placidamente cintilam sobre as águas tranquilas da ria. Ao longe um farol pisca monocordicamente num compasso lento. O cheiro a maresia envolve-me, penetrando em tudo ao meu redor. A pouco e pouco deixo de sentir os aromas que trago comigo e deixo-me enlear por esta noite quase mágica. Poucos são os sons que escuto para além dos que eu própria produzo. Estico-me sobre a balaustrada e inspiro bem fundo numa tentativa de guardar esta calma que me circunda. Expiro lentamente. Sei que voltarei aqui. A esta noite. Em muitas outras noites.

Foto de F. Monteiro

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Notas de um dia qualquer

Um toque gentil no ombro. A minha surpresa perante a inesperada aproximação desvaneceu-se diante da delicadeza dos gestos mudos. Apesar de nunca ter tido contacto com a linguagem gestual, dei por mim a seguir com o olhar a mensagem que delicadamente me tecias. Pedias um contributo para uma causa nobre, tão distante da minha realidade, que facilmente seria ignorada noutras circunstâncias. Não me recordo dos gestos, retive apenas a mensagem e mais do que a mensagem a forma subtil e delicada com que o fazias. Nesses instantes pensei somente em musicalidade. Não em música, ou sons. Mas simplesmente em musicalidade. Porque em silêncio preencheste o vazio de som e fizeste-o de forma sublime e simples. Da mesma forma que a música preenche o pensamento ausente de palavras. Dei-te algumas moedas mas não tinha palavras para te dar mesmo que me escutasses. Não sei dizer musicalidade em mais língua nenhuma, muito menos em linguagem gestual. E contudo seria apenas a única coisa que te diria. Despediste-te acenando com um toque leve nos lábios em sinal de agradecimento e foste embora da mesma forma gentil com que havias chegado. Silenciosamente.

Foto de Bruno Silva

sexta-feira, 27 de março de 2009

Retratos de uma outra urbanidade

Sempre gostei da paisagem à beira rio. Os retratos de tempos idos em que as pessoas se banhavam sem receios nas margens do Tejo sempre me fascinaram. Fazem parte daqueles momentos que, embora não tendo presenciado, me transmitem contudo alguma nostalgia. Talvez por pensar que pertenceram a tempos menos complicados, mais pueris, envolto nas simplicidades das vontades singelas.

Eis senão quando sou surpreendida pela naturalidade de uns miúdos que tendo o Verão dado os primeiros sinais de vida, resolveram fazer algo para combater o calor da hora de almoço. E mesmo com calções de banho improvisados e sem toalha é vê-los a tomar banho nas águas do Tejo. Considerações à parte quanto à qualidade das águas e aos perigos da corrente, não pude deixar de sorrir.

Cristalizasse eu esses momentos a sépia e poderia sem grande dificuldade guardar um bocado de tempo suspenso que facilmente poderia ser confundido com esses retratos de tempos mais longínquos...