Regresso aos bancos de faculdade, escolho uma área diferente
da minha formação base, um tipo de instituição diferente , numa localidade
relativamente pequena e esquecida e encontro uma antiga colega da faculdade
como docente de uma cadeira à qual sou aluna. Chego à conclusão que somos
sempre os mesmos.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Carta aberta a PPC
Sei que provavelmente nunca irá ler esta carta. Estará decerto
mais ocupado a erradicar a pobreza e a substituí-la pela miséria. Os tempos são
difíceis, eu sei (não soubesse eu outra coisa), mas temo que o Pedro não o
saiba verdadeiramente. O Pedro, embora viva em Massamá, e por essa via se sinta
próximo do povo, não sabe decerto o que é não ter um futuro. Não sabe o que é a
incerteza de fazer face às despesas crescentes do dia-a-dia quando todas as
fontes de rendimento vão secando a pouco e pouco até não haver mais nada. Eu
sempre fiz parte da dita classe média. Filha de funcionários públicos, sempre
vivi com a firme convicção que trabalhando honestamente, estudando e não dando
um passo maior que a perna iria conseguir ter pelo menos um futuro digno. Os
meus pais creio que me educaram bem. Incutiram-me os valores certos: honestidade,
competência, integridade, perseverança. Mas receio que não me souberam preparar
para o mundo em que vivemos, onde o valor do dinheiro se sobrepõe a tudo mais.
E sem saber bem como, eis que dou por mim no limiar de uma vivência condigna.
Fazendo malabarismos para conseguir pagar os meus bens essenciais e fazer face às
contas que todos os meses tenho de honrar, apesar de outros não as honrarem
comigo. Ao longo deste ano perdi o emprego depois de meses de salário em
atraso. Agora vejo-me novamente em situação idêntica por outra entidade
patronal. Dirá o Pedro que são azares desta conjectura, que temos de ter
confiança no futuro. Mas receio bem, Pedro, que o banco não vá nessa conversa. A
ele não interessa que o meu trabalho não seja remunerado, ou que tenha
praticamente de pagar para trabalhar. E eu começo a não saber como dou a volta
a isto. E eu, Pedro, faço parte dessa grande fatia de população que estudou,
lutou e empreendeu. Criou soluções, rompeu com formas de trabalhar do passado,
adaptou-se, reinventou-se. Nunca tive cunhas ou facilitismos, lugares criados de
propósito para mim, ou cartão do partido. E é por isso, Pedro, que você nunca
irá perceber o que fez a este país. Irá ficar desiludido quando a contestação
subir de tom e de repente sentir a Grécia aqui tão perto. Interrogar-se-á sobre
o porquê de tamanha ingratidão. Mas sabe, Pedro, é que quando a preocupação
passa a ser o que colocar na mesa, temo que os ânimos se exaltem. Mas não se
preocupe, meu caro. Você decerto que não irá passar fome. Haverá sempre mais
uma empresa pública pronta a acolhê-lo. Nós, como sempre, pagaremos o seu belo
salário. Ou não. Porque de tempos a tempos muda-se o paradigma. Pense nisso.
Anna Mexilhão Blue
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Coisas que me apraz dizer neste momento
Quando numa próxima entrevista, sobretudo se resultar de um anúncio do IEFP, me perguntarem pela
experiência profissional vou simplesmente responder: Vera Pereira,
muito prazer!
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Saudades do tempo que ainda não partiu
Saudades de perder tempo a divagar. De perder o sentido, sem
contudo deixar de caminhar. De sentir a leveza do trivial, de ignorar o
relógio, sentido apenas uma brisa a bater-me na face. Tenho saudades de não
pensar em nada, de me deitar sobre uma manta e deixar que as nuvens me contem
uma história. Sem mais nada no pensamento a não ser que talvez vá adormecer
embalada pelo som do mar ou do vento a passar pelas copas das árvores. Pensar
em poesia, nos aromas que embrulharam tantos outros momentos, nas viagens que ainda não fiz ou
em fotografia antigas. Em deixar emergir uma sonolência lânguida, doce, serena.
E no fim, abrir os olhos, espreguiçar-me como um gato vadio, ajeitar as roupa
amarrotada e seguir o meu caminho. Seja ele qual for.
![]() |
| Foto daqui |
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Pi(s)adas
Andava para aqui a ver mestrados e dou por mim a pensar em seguir as pi(s)adas do Relvas: ora com uma licenciatura pré-Bolonha, uma pós-graduação com média de 16 e 12 anos de experiência profissional na área é capaz de dar para um doutoramento na Lusófona, não? Hã?
Ah… espera! Falta-me a parte do folclore. Bolas!
Ah… espera! Falta-me a parte do folclore. Bolas!
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Querido, mudei a casa
Estão a ver aqueles dois velhotes dos Marretas que passavam
a vida a mandar vir um com o outro durante o programa? Eu estou. Há duas horas.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Por cá hoje?
Quando comprei a minha primeira casa, uma das minhas
melhores amigas ofereceu-me uma planta em jeito de inauguração oficial do
tasco. Desconfiando desde logo da minha incapacidade inata para cuidar de um
ser vivo, escolheu cuidadosamente o tipo de planta: ficus-qualquer-coisa, e que
para além de suportar períodos longos sem água estava também associada à boa
fortuna (e aqui também na óptica do vil metal). Curiosamente, andei à procura
de uma imagem da dita planta na net (sim, que apesar do estado vegetativo em
que se encontra este blogue, ainda há por aqui um certo brio na exposição dos conteúdos),
descubro não só que os ficus estão associados às figueiras, coisa que esta
planta decididamente não é, e que árvores da fortuna há muitas, mas isso eu
também já desconfiava. Posto isso, terão (veleidade minha supor que ainda haja
quem por aqui pare) de acreditar que efectivamente tenho uma planta, a qual eu
acredito é um ficus-qualquer-coisa (porque era o que estava escrito na etiqueta)
e que supostamente traz boa sorte e dinheiro (porque acredito na minha amiga). Ora
acontece que, estando eu alampada no sofá, dou com os olhos no estado lastimável
em que se encontra a planta, que segundo a minha amiga seria quase
auto-sustentável, bastando para sobreviver apenas umas meras gotinhas de água a
amiúde. Eu cá não sou bióloga, nem tenho formação em botânica, mas quer-me cá
parecer que aquilo se parece perigosamente com uma planta às portas da morte. E
isto fez-me pensar na evolução das minhas finanças, as quais curiosamente
acompanharam a curva de declínio do meu ficus-qualquer-coisa. Como não há meio
de me sair o euromilhões, então talvez a solução passe por regar a plantar, mas
coisa pouca, que a pequena não está habituada à abundância e nestas coisas é
melhor ir com calma, tudo a bem da saúde da planta, claro, que eu cá posso
perfeitamente continuar a viver do ar. E a gostar muito de plantas, sobretudo
daquelas que sobrevivem a longos períodos de míngua. Um pouco como este blogue.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Pormenores
A diferença não é o que fica depois de se subtrair o que não
interessa, mas o que se acrescenta quando tudo o resto parece igual.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Bruxas
Eh pá, vocês já me deslargavam, não? É que paciência tem
limites e a minha, que é sobejamente conhecida por ser finita e pequenina, já
está a trabalhar em sobre esforço para compensar (e não começar eu a
descompensar). Toda esta história das coincidências é muito gira, muito
engraçada, ai a simultaneidade dos acasos e tudo e tudo e tudo, mas (e sublinho
o “mas”) chateia-me, aborrece-me de sobremaneira, quando o universo se organiza
para literalmente me deixar na penúria. Há quem consiga viver com o mínimo, mas
senhoras, eu ainda preciso do essencial: comida, casa, água e luz e uma vez que
não posso pagar com palavras, seria simpático de vossa parte, ir atazanar para
outra freguesia. Vá, ide, ide….e não volteis.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Perfect world
Num mundo perfeito eu estaria agora numa cama de rede, baloiçando vagarosamente ao sabor de uma brisa quente.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

