segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Os meus desejos para 2013 em 2.55 minutos

O que eu queria mesmo muito, muito, muito, tipo dava o meu 6º dedo do pé era … (pausa para se ouvir o rufar dos tambores): muita cama. Ou sofá. Ou até mesmo no chão. Ou, na loucura , em cima de um cadeirão, que chegada a esta altura do campeonato uma pessoa já nem é esquisita. É onde calhar, desde que não seja incomodada e consiga levar a coisa até ao fim.
Os meus mais imediatos desejos para 2013 envolvem a palavra de 4 letras começada em S e acabada em O, sem a qual ninguém consegue passar (há quem afirme que o Prof. Marcelo não precisa, o que é capaz de explicar alguma coisa). É sem pudor que afirmo que o que eu preciso mesmo é de dormir e acabar como o SonO que me assola e me mina o raciocínio.
Dormir 12h seguidas, tipo sem ter ninguém para me acordar seja por que razão for. Só dormir…assim…tipo até não poder mais. E depois voltar-me para o outro lado e continuar a dormir… tipo até conseguir.

E é isto. Sou uma egoísta, eu sei.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

terça-feira, 27 de novembro de 2012

É a crise, estúpida! #2

Acabo de ver um anúncio para a apanha de brócolos e couve-flor onde se pede “experiência comprovada na função”. E fiquei para aqui a pensar como é que raio se comprova experiência numa função destas. Coloca-se à frente do candidato um conjunto de legumes e pede-se para o candidato selecionar os brócolos e as couves-flor? Pedem-se referências a algum agricultor? Pede-se a alguém para nos fotografar a escolher orgulhosamente um brócolo? Há cursos de formação para a apanha de brócolos e couve-flor? E passam certificado? Toda eu sou dúvidas...

É a crise, estúpida! #1

Alguém que me diga como é que eu convenço o meu incómodo hóspede que aqui não somos adeptos do” roofsurfing”?

domingo, 25 de novembro de 2012

Enquanto isso

Eu sou uma sortuda. Tenho o privilégio de passar por experiências que poucos outros mortais se poderão gabar. Não digo que sejam melhores ou piores, mas são certamente peculiares. O colorido do meu dia-a-dia pinta-se ao gosto de quem lá em cima mexe os cordelinhos, sendo certo que quem o faz tem um sentido de humor de traço fino, por vezes tocando a ironia, outras roçando o humor negro. Mas, se eu o divirto com os meus malabarismos, tanto melhor, afinal somos todos uns peões, não é verdade? Pois agora o que eu realmente gostava de saber é como é que vou conseguir expulsar o incómodo hóspede que resolveu fazer do meu telhado o seu doce lar e que há 4 noites que não deixa ninguém dormir.
Isso é que de facto me anda a tirar o sono.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Escolhas


Estou no desemprego há uns meses. Nunca estive desempregada. Nunca tive de racionar comida ou fazer escolhas entre pagar a conta da luz ou da água. Talvez por isso ainda me sinta uma privilegiada. Mas tenho de fazer cada vez mais opções. Felizmente ainda posso comer bifes com regularidade, escolher o peixe que vou dar ao meu filho e comprar a roupa que ele precisa. Mas se nunca fui de gastar o que não tenho, a verdade é que também sou cada vez mais obrigada a fazer escolhas: escolho não ir ao cinema. Escolho não ter TV Cabo. Escolho não comprar roupa, não comer fora, não sair para um fim-de-semana a dois. E no entanto já o fiz com regularidade no passado. Se me custa? Custa, mas escolho escolher o peixe que vou dar ao meu filho.
Muitas vezes, e cada vez mais, o desempregado é considerado um inútil, um estorvo que anda a ganhar (os que ainda recebem subsidio) sem contribuir para a sociedade. Mas ninguém me perguntou se esta é uma escolha minha. Ou dos milhares que estão na mesma situação. Continuo a concorrer a tudo o que aparece, seja ou não da minha área. Mas se para a grande maioria basta apenas mandar um CV, para os poucos lugares que aparecem na minha área é preciso enviar também os certificados autenticados. Cada autenticação custa 17€. 17€! Sabem quantas postas de peixe consigo comprar com 17€? Muitas. Hoje fui aos correios enviar a documentação para concorrer a dois lugares. Foram 4 certificados. Façam as contas. Eu quero muito sair do desemprego. Mas também quero continuar a dar carne/peixe ao meu filho. E não quero ter escolher entre uma coisa e outra, porque ambas deveriam estar ao meu alcance.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

E o tema da tese é...

A preguiça, o lazer e as tarefas inúteis: contributos para a sistematização da problemática e consequências socio-estudantis. O caso da Travessa do Cais Azul.

Pretende-se com este estudo compreender a importância das tarefas inúteis no prolongamento da preguiça e se esta relação afecta a qualidade do tempo de lazer.

H1: A vontade de fazer alguma coisa é inversamente proporcional à quantidade de coisas que existem para fazer.  

H2: A quantidade de coisas que existem para fazer aumenta na mesma proporção do tempo gasto em tarefas inúteis.

H3: as tarefas inúteis criam-se para justificar a falta de vontade em fazer o que tem de ser feito.

(o que uma pessoa inventa para adiar a leitura de uma pilha de artigos…)

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Bem-vindos à freguesia da “União da Freguesias que não quiseram saber da agregação e que agora vão ficar com uns nomes lindos de morrer e unidas a realidades completamente díspares”


Não sei se ria, ou se chore.
Cabia às Assembleias Municipais a elaboração de pareceres para a agregação de freguesias. Não o tendo feito e havendo um calendário politico a seguir, foram substituídas nessa tarefa pela Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território (URAT), constituída por técnicos que não conhecem as especificidades dos territórios e limitaram-se a seguir critérios essencialmente demográficos e pouco mais. Em resultado, temos concelhos que vão ficar complemente descaracterizados administrativamente, unindo freguesias com realidade, dinâmicas e características completamente diferentes.
A cereja no topo do bolo é que a toponímia para todas estas novas freguesias resultantes das propostas da URAT é hilariante. Todas elas começam com “União das Freguesias (…)”. No meu caso vou passar a viver numa freguesia que resulta da agregação de 3 ou seja um comboio de nomes, mas há freguesias que resultam da agregação de muitas mais.
Para quem quiser saber qual a sua nova freguesia consultar aqui.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O mundo é uma ervilha

Regresso aos bancos de faculdade, escolho uma área diferente da minha formação base, um tipo de instituição diferente , numa localidade relativamente pequena e esquecida e encontro uma antiga colega da faculdade como docente de uma cadeira à qual sou aluna. Chego à conclusão que somos sempre os mesmos.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Carta aberta a PPC


Sei que provavelmente nunca irá ler esta carta. Estará decerto mais ocupado a erradicar a pobreza e a substituí-la pela miséria. Os tempos são difíceis, eu sei (não soubesse eu outra coisa), mas temo que o Pedro não o saiba verdadeiramente. O Pedro, embora viva em Massamá, e por essa via se sinta próximo do povo, não sabe decerto o que é não ter um futuro. Não sabe o que é a incerteza de fazer face às despesas crescentes do dia-a-dia quando todas as fontes de rendimento vão secando a pouco e pouco até não haver mais nada. Eu sempre fiz parte da dita classe média. Filha de funcionários públicos, sempre vivi com a firme convicção que trabalhando honestamente, estudando e não dando um passo maior que a perna iria conseguir ter pelo menos um futuro digno. Os meus pais creio que me educaram bem. Incutiram-me os valores certos: honestidade, competência, integridade, perseverança. Mas receio que não me souberam preparar para o mundo em que vivemos, onde o valor do dinheiro se sobrepõe a tudo mais. E sem saber bem como, eis que dou por mim no limiar de uma vivência condigna. Fazendo malabarismos para conseguir pagar os meus bens essenciais e fazer face às contas que todos os meses tenho de honrar, apesar de outros não as honrarem comigo. Ao longo deste ano perdi o emprego depois de meses de salário em atraso. Agora vejo-me novamente em situação idêntica por outra entidade patronal. Dirá o Pedro que são azares desta conjectura, que temos de ter confiança no futuro. Mas receio bem, Pedro, que o banco não vá nessa conversa. A ele não interessa que o meu trabalho não seja remunerado, ou que tenha praticamente de pagar para trabalhar. E eu começo a não saber como dou a volta a isto. E eu, Pedro, faço parte dessa grande fatia de população que estudou, lutou e empreendeu. Criou soluções, rompeu com formas de trabalhar do passado, adaptou-se, reinventou-se. Nunca tive cunhas ou facilitismos, lugares criados de propósito para mim, ou cartão do partido. E é por isso, Pedro, que você nunca irá perceber o que fez a este país. Irá ficar desiludido quando a contestação subir de tom e de repente sentir a Grécia aqui tão perto. Interrogar-se-á sobre o porquê de tamanha ingratidão. Mas sabe, Pedro, é que quando a preocupação passa a ser o que colocar na mesa, temo que os ânimos se exaltem. Mas não se preocupe, meu caro. Você decerto que não irá passar fome. Haverá sempre mais uma empresa pública pronta a acolhê-lo. Nós, como sempre, pagaremos o seu belo salário. Ou não. Porque de tempos a tempos muda-se o paradigma. Pense nisso.

 
Anna Mexilhão Blue