quarta-feira, 17 de abril de 2013

Alice e eu

O problema das fantasias é que nunca passam para o plano real. E eu fantasio muito. Fantasiei que iria andar entusiasmada com o mestrado. Que iria adquirir bases de conhecimento em áreas que não domino, que iria ser desafiada a levar mais além os conceitos que eram abordados nas aulas, que me iriam ser mostradas novas linhas de investigação e por aí fora. Depois vejo professores com erros nas apresentações, a confundirem alhos com bugalhos e a darem o dito por não dito. E eu fico chateada. Muito chateada. Porque me sinto enganada, ainda que a fantasia tenha sido minha. E agora? Deito fora quase um ano de propinas e combustível que tanto me custou a suportar? Avanço para dissertação mas sabendo que provavelmente não irei tirar grande partido disso (e pagando mais um ano de propinas?) É certo que se trata do primeiro mestrado deste tipo em Portugal, mas talvez por isso mesmo as coisas deveriam estar mais articuladas, definidas e sobretudo conceptualizadas. E eu que até era um pouco leiga nestas matérias acabo por andar a corrigir pps.
Fico chateada, pois com certeza que fico chateada.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Dois anos

Há dois anos atrás eu não te esperava ainda e no entanto estavas nos meus planos há já tanto tempo. A vida foi abrindo espaço para ti e a pouco e pouco, mesmo sem querer “querer-te” tanto, foste ficando no nosso futuro. Depois vieram as dificuldades, a desilusão de não te conseguir concretizar durante anos. As palavras gastas dos outros, despojadas de entendimento e a eterna culpa da ansiedade, como se a vontade de te ter fosse a causa de não conseguir. Foram muitos os anos de silêncios, de ouvir muitos disparates embrulhados em boas intenções e de aprender a relativizar as coisas. Reaprender a saborear a vida sem prazos de validade, sem datas programadas, sem ver a intimidade devassada. Reaprender a viver a dois, olhando em frente em paz comigo, connosco. Olho para trás e penso que talvez tivesse sido preciso fazer essa travessia no deserto. Quando resolvemos voltar a tentar, nem eu nem o teu pai esperávamos que vingasses. Eram remotas as possibilidades, como se tudo se tivesse conjugado para que fosse improvável dar certo. Se noutras tentativas em que tudo estava perfeito tu não vingaste, porque haverias de acontecer agora quando tudo concorria contra ti? Saí do hospital sem grande esperança e enquanto fumava um cigarro pensava na sucessão de contratempos que me tinha conduzido até ali. Quando regressei ao hospital, já sabendo que te carregava no ventre, toda a gente nos veio felicitar incrédula, tão improvável que era teres conseguido acontecer. Há dois anos atrás eu pensava que ainda não seria hoje que te conheceria, mas tal como já havias demonstrado antes, tu não segues o que é suposto e gostas de fazer as coisas à tua maneira. Há dois anos atrás entraste nas nossas vidas mas há muito tempo que já fazias parte dela.

sexta-feira, 15 de março de 2013

À procura da nave

Primeiro incentivam-me para ir assistir a um seminário em Mirandela (que é já ali). Depois desafiam-me para participar nas comemorações da Caldeira do Faial. O meu aspeto deve ser substancialmente melhor que a minha conta bancária, só pode. E eu a pensar que ando com má cara.

Vénia

A quem é pai de gémeos. A sério, eu venero-vos. Devia haver uma rotunda em vossa honra. E um dia em vosso nome.  Se me saíssem dois na rifa do calibre deste, eu já teria dado entrada numa qualquer instituição psiquiátrica. Disso não tenho a menor dúvida. E quando penso que arrisquei ser mãe de tri, só me apetece gozar a com minha própria ingenuidade. Dois ou três? Sim, talvez. Mas um da cada vez. Para o bem da minha saúde mental.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Diz que é do tempo que está hoje

Não bastava ter de me apresentar bem cedo numa manhã chuvosa com toda a logística que isso implica e que inclui lutar contra 13 kg de rabugice matinal (incluindo pequeno-almoço em versão não-abro-a-boca-nem-por-nada), mais 40 km para o deixar com os avós, ter apanhado 3 valentes molhas (põe puto, tira puto, parte chapéu) dignas de ganhar o prémio Pinto do Ano 2013, para no fim me “convidarem” para frequentar acções de formação, as quais por acaso até estou habilitada a ministrar. E não, não se trata de reciclagem de conhecimentos. É mesmo para aprendizagem. Ora, e se fossem dar uma volta ao Bilhar Grande, não?

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Coisas do arco-da-velha


Gostava de ser organizada. Encontrar as coisas à primeira sem ter de revirar a casa do avesso quinhentas mil vezes para depois as encontrar num dos sítios mais óbvios, camuflados o suficiente para passarem despercebidos à primeira vista. Às vezes penso que faço isto inconscientemente para elevar os meus próprios níveis de stress e irritabilidade. Uma forma de me manter viva, vociferando impropérios à velocidade com que procuro o que preciso. Logo que a catarse termina, respiro fundo e eis que normalmente vislumbro o que procuro. Normalmente tudo termina em bem, porque no fundo eu sou apenas uma desorganizada organizada. Normalmente. Mas nas poucas vezes em que tal não acontece, o diabo fica atrás da porta. Como hoje.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Volver

Hoje tive de voltar a percorrer aquele caminho. O mesmo que me acompanhou durante tantos anos. Decorei, com a cadência das passagens, todos os pormenores, todas as linhas, todas as sombras. Durante o tempo em que o percorri deixei-me levar pela entropia e nessa desordem familiar senti conforto. Por momentos era eu que regressava a casa. Esse era o meu caminho. Escolhi a mesma estação de rádio tal como o fazia noutros tempos. A programação contínua idêntica. As rubricas também. Foi ao som de Junip que hoje regressei a casa.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Dos ausentes que nunca estiveram presentes


Há coisas que nunca mudam. Nem as pessoas. Mas não deixa de ser curioso que ao fim tanto tempo resolvam estacionar na minha vida sem perguntar que eu estou interessada num convívio tão próximo. Não estou. O tempo passa. A vida continua e as mentes limpam-se. Já arrumei as gavetas que tinha de arrumar e não sobrou espaço para quem nunca o quis ocupar.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Hã?


Parece que anda tudo num reboliço com um tal de Franquelim. Pois não entendo tamanho alvoroço. Atentem que o senhor esteve envolvido no BPN. Querem melhor recomendação para secretário de Estado do Empreendedorismo?

domingo, 27 de janeiro de 2013

Inutilidades

Gosto do silêncio das coisas inúteis. Tão inúteis como o sentido que lhes dou. E no entanto gosto de saber que continuam assim…inúteis. Na verdade fiz um esforço para que se transformassem em inutilidades, para que facilmente delas me pudesse despedir caso o peso fosse demasiado. E contemplo essas mesmas coisas inúteis, apenas pelo prazer de saber que a qualquer momento posso deixa-las cair. Sem alarido, sem mágoa, sem dor. Em silêncio.