quarta-feira, 17 de junho de 2015
Cúmulo da ingenuidade
Mentirem-te descaradamente e tu não só não percebes como ainda te ofereces para ajudar.
terça-feira, 16 de junho de 2015
Dos reencontros
Pegar nas palavras escritas e esquecidas e nas lembranças de
outros tempos. Limpar-lhes o pó e colocá-las ao sol a esvoaçar. Deixar que
voltem a nós mais uma vez, e outra e outra. Regressar ao lugares de memória, podando
a nostalgia e deixando apenas ficar a essência que deu origem à escrita. Há
momentos cujo porquê já esqueci. Outros há em que ainda lhes sinto o cheiro. E
depois há surpresas escondidas que permitem um reencontro com outras palavras e
sentidos alheios. Formas de estar e de sentir, pequenas histórias de vida com magia
dentro. E, sem andar à procura, mas feliz por ter tropeçado naquele detalhe,
fico agora sem saber se celebro a alegria deste reencontro sozinha ou se
timidamente lhe digo que estou feliz por a ter reencontrado, porque afinal
ainda sinto o cheiro da magia das suas palavras. A vida muda, as pessoas mudam,
a escrita muda. A empatia não. A minha pelo menos.
sexta-feira, 12 de junho de 2015
O estigma do desempregado
A propósito de comentários que tenho vindo a colecionar,
chego à conclusão que uma pessoa que se encontre desempregada não pode:
1. andar bem arranjada. Isto inclui pintar o cabelo e
arranjar as unhas. Dado que não tem rendimentos, deve por isso viver de acordo
com essa condição. Deve deixar crescer as raízes, lavar o cabelo apenas uma vez
por semana e usar sempre calças de fato de treino e t-shirts largueironas. Parece
que a única razão pela qual as pessoas se vestem decentemente é apenas para
irem trabalhar.
2. ir ao café ou sair
de casa. Sair e ir beber um café é um acto que só está reservado a quem
trabalha e ganha um salário, pois basta colocar o pé fora de casa para estar
sujeita à condenação da comunidade.
3. ter qualquer tipo de vida social. Se está desempregada
deve viver enclausurada em casa e carpir a sua condição de desempregada até ao
limite.
4. ser sorridente ou
bem disposta. Deve comportar-se de forma depressiva e expor as suas dificuldades
a quem com ela se cruze, não deixando margens para dúvidas que vive de forma
miserável.
Nos pontos anteriores há algum exagero, é certo. Mas vivendo
numa comunidade pequena, e que muitas vezes se equipara a um regresso ao
recreio escolar, há olhares e expressões que, apesar de não serem verbalizados,
deixam transparecer este tipo de pensamento. E, infelizmente, há outros que
chegam mesmo a ver a luz do dia e que validam os pontos anteriores. Não é fácil
viver sem saber o que o dia de amanhã trará e requer força de vontade não
deixar o pessimismo tomar conta do dia-a-dia. Não demonstrar a angústia sobre a
incerteza do futuro não faz de mim melhor pessoa, embora seja mais agradável
para quem comigo priva. Mas perante estes pequenos episódios que vou
registando, fico a pensar que vivo/vivemos num mundo muito pequenino, onde se
categorizam as pessoas apenas com base na sua situação profissional e pelo que
exteriorizam. Nada de novo, portanto. Continuamos, como sempre, a viver de
aparências.
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Oiço vozes
Desta vez é a sério. É hoje que eu vou pegar na minha tese e
refazer tudo. A sério! Não, não, é só mais uns minutos, estou aqui a ver uma
coisa na net e vou já de seguida. Espera, deixa lá só espreitar mais isto. Eh pá,
deslarga! Eu preciso só de encher a cabeça com lixo cibernético para depois
estar mais motivada para esmiuçar aqueles artigos, não entendes? Sim, sim, já
vou, já vou… Fónix!!! é já quase uma da tarde e não me disseste nada?! Porra, não
se pode confiar em ninguém, nem mesmo na própria consciência… Olha, vou fazer o
almoço e depois pego nisso. Eh, pá deixa-me da mão, já disse!
(Santa Engrácia devia ser a padroeira dos alunos de mestrado)
(Santa Engrácia devia ser a padroeira dos alunos de mestrado)
terça-feira, 9 de junho de 2015
Pergunta para queijo #2
Perante a possibilidade de ter de obrigatoriamente reduzir a
actividade física do miúdo, eu pergunto: e onde é que se tiram as pilhas?
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Três em um
1. Deixei de poder estacionar o carro em frente a casa.
Tenho um monte de calhaus da calçada no lugar do carro.
2. Por indicação médica vou ter de dar doses cavalares de
praia ao puto (oh, que chatice!)
3. Há quem sonhe com Lamborghinis roxos. Eu tenho pesadelos
com a minha tese. Aliás, toda ela é um pesadelo. Limito-me a reviver o meu dia-a-dia
durante a noite.
Num mundo perfeito eu levaria o puto à praia e, enquanto ele
brincaria sossegadamente à beira da água, eu conseguiria avançar alguma coisa
na dita. Da próxima vez que eu pensar em voltar a estudar, internem-me por
favor.
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Live report from ruralidade
Estão a fazer uma intervenção às condutas de água aqui na
rua. Tenho vista para a retroescavadora que está a milímetros da parede da casa.
Abriram uma vala em frente à minha porta e depositaram o monte de escombros
carinhosamente ao lado. Fui à pressa tirar o carro enquanto ainda se conseguia
circular. Estão 5 marmanjos a mandar vir uns com os outros há mais de 1 hora e
corre água a rodos. Não sei se quero ver o resultado final da intervenção…
Rota das Consultas (em elaboração)
Distância: cerca de
1500 metros. Pode aumentar dependendo do número de ramais percorridos, alguns
de forma recorrente.
Duração: variável. Usualmente
não menos de 2h.
Tipo de percurso:
circular, linear, triangular, hexagonal, outros não especificados.
Altitude máxima:
depende do número de cadeiras empilháveis na sala de espera.
Grau de
dificuldade: adversidade do meio = 3; Orientação=4; Tipo de piso =2; Esforço
físico=5
Ponto de partida e
de chegada: parque de estacionamento da unidade de saúde.
Pontos de
interesse: recepção, sala de espera, consultório, gabinete de exames, parque de
estacionamento.
Época aconselhada:
todo o ano. Com condições meteorológicas adversas aconselha-se o uso de
vestuário e calçado adequado (solas com elevado nível de aderência).
Descrição: a Rota
das Consultas é um percurso misto (linear, circular, outros) que liga as várias
unidades de saúde que constam do programa mais extenso delineado pela pediatra.
Desta forma a Rota das Consultas pode ser percorrida em várias etapas sendo constituída
pelo PR1 - Consulta de Pediatria, PR2 - A Magia da colheita de sangue e de
urina, PR3 - Consulta de Otorrino, PR4 - Na Senda do Timpanograma, PR5 - A
Conquista do Audiograma. A partir deste último existe ligação ao PR1.
Esta é uma rota
única, que permite aos participantes elevar de forma sustentada os seus níveis
de stress, uma vez que a criança, extremamente activa por sinal, passa imenso
tempo em espaços fechados, sem grandes distrações. A tranquilidade da colheita
de sangue e urina é apenas interrompida pelos gritos e tentativas de fuga do
menor, prontamente controladas pelos progenitores e alguns prestadores de
cuidados.
Actualmente estão a
decorrer ainda os trabalhos de marcação e sinalética dos PR3, PR4 e PR5 (descrição
destes percursos disponível em breve)
No fim da rota espera-vos
um possível diagnóstico, uma melhoria significativa da condição física do menor
e decisão quanto ao próximo caminho a percorrer.
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