sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Há festa no condomínio

Vou reunir com os meus inquilinos, ambos os inquilinos de cima, mais os respetivos proprietários e o perito do seguro. Estou aqui indecisa entre levar cerveja e tremoços ou se visto uma armadura de combate.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Vou jogar no euromilhões

- máquina da loiça com distúrbios de personalidade e pensa que é um repuxo de jardim;
- Candeeiro de tecto que pensa que é fonte e pinga abundantemente;
- parquet em 3D
- casa em curto-circuito e sem luz;
- vizinhos de cima negam responsabilidades. Sim, claro, a água sobe por capilaridade, obviamente.
- toma lá uma otite para não dizeres que te dói só a alma;
- tudo no espaço de dois dias que é para não dizeres que é sempre ao mesmo tempo;

Cansei…

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

(...)

Tento não pensar muito na morte. Não penso muito na minha, muito menos na do meu filho, embora me vá mentalizando para a dos meus pais. Porque é essa a lógica normal. Primeiro vão os pais. Depois os filhos. O entretanto é para ser vivido e sobretudo sentido, abraçado, beijado, amado. Algumas palavras, poucas, fazem tanto sentido como um abraço apertado. No fim, acho que não me irei arrepender do que não disse, eu não digo muita coisa que valha a pena guardar, mas irei sentir sempre a falta de não ter falado por abraços, ou por momentos de silêncio em que palavras eram desnecessárias, e por serem desnecessárias, se ditas seriam banalidades, vazias. E é isto que me está a consumir. Faltou-me o abraço. Algures no tempo não cheguei a dar aquele abraço. Ficou no ar o “até já”. Um até já que vai ser tão longo como a minha vida inteira. Um até já porque era assim que querias que fosse. E, perante a tua grandeza, nada mais me resta, a não ser guardar o abraço que não te dei e imaginar-te a chamares-me de tonta.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O universo é pequeno demais

Ajoelhei-me à sua frente para ficar à altura dos seus olhos. Ia preparar-me para lhe explicar que naquela noite teria de ficar a dormir em casa dos avós, coisa que, já tendo sido abordada no passado, tinha recusado sempre. Mas antes sequer que começasse, pergunta:
- Mãe, porque estás assim vestida?
- Estou vestida de cores escuras porque estou triste.
- Porque estás triste?
- Porque perdi uma amiga de quem gostava muito.
- Porquê?
- Porque ela partiu para muito longe e eu já não vou poder voltar a vê-la.
Nisto, resolve abraçar-me enquanto me segreda ao ouvido
- Não te preocupes, mamã. Eu vou sempre, sempre, teu amigo. Não fiques triste…

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

E por falar em novidade no Oeste

Preciso de chegar à fala com uma alta personalidade do executivo municipal. Estamos em pleno Agosto. Já me mudaram 3 vezes de extensão e já fiz um email fundamentar o pedido, incluindo as questões que quero debater. Gostava de mudar a ideia que tenho quanto ao atendimento municipal. Gostava mesmo muito, mas para já não vejo absolutamente melhorias nenhumas… Mas, lá está, eu ainda acredito (às vezes) no Pai Natal.

A Oeste nada de novo #2

Uma pessoa anda a ser melgada para ir ver os Mínimos. Tudo certo. A ida ao cinema pela primeira vez andava na calha há já algum tempo, aguardando apenas que a combinação “filme giro + bom comportamento + interesse manifestado pelo petiz” acontecesse em simultâneo. Depois de várias falsas partidas, eis que se marca a mítica estreia cinéfila do puto e concretiza-se a aventura.
No fim, depois de uma inédita saída em que não houve nada, zero reparos a fazer no que ao comportamento diz respeito, deixando a minha alma perplexa e convicta que tínhamos estado perante um momento histórico na nossa vida familiar, resolvo perguntar-lhe se tinha gostado do filme e qual tinha sido a parte mais gira.
Sim, gostei mesmo muito do filme. A parte que gostei mais foi da ovelha choné…Mãe, viste como eles fugiam para a cidade. Muito fixe!!
Este miúdo nunca desilude... Voltamos a tentar em Setembro, portanto.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O cúmulo da procrastinação

Ficar à janela a cronometrar o intervalo de tempo entre descolagens dos aviões.
(mudar de poiso não está a ajudar...)

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Outro peditório

Esta tese, mesmo que não seja concluída em tempo útil, foi decisiva para fechar um capítulo de vida. Depois desta saga dou por encerrada a minha vida académica, pelo menos no que a títulos diz respeito. Há um (dois?) ano(s) atrás, embalada por uma média elevada na parte curricular, ainda ponderei apostar num doutoramento. Agora só me dá vontade de rir quando penso nisso. Sou uma tonta. Se há coisa que a vida me tem ensinado é que há alturas em que é preciso deixar de bater com a cabeça na parede e aceitar que se calhar o caminho não é por aí. E o meu caminho não é por aqui. Falta-me a paixão, o entusiasmo para tentar fazer mais e melhor. Mas espera lá, Anna! Ainda há meia dúzia de post atrás dizias que não te arrependias de ter escolhido este caminho e agora estás com esta conversa? Vamos por partes. Adorei contactar com um conjunto de pessoas que tiveram a paciência e simpatia para me aturar, que perderam o seu tempo a conversar comigo. Isso, para quem não é propriamente uma tagarela, foi maravilhoso e serviu para me atirar para bem longe da minha zona de conforto. E senti-me algo especial por poder testemunhar pedaços de histórias de vida que me sensibilizaram. Pelo valor que dou a esses momentos, sim, não me arrependo de ter optado por fazer esta dissertação. Mas todo o processo de verter para o papel, com detalhe e rigor, toda a informação que entretanto se entranhou, solidificou, está a ser um parto muito difícil. Facilmente perco a meada entre o que é meu e o que li de outros, as fronteiras esbatem-se, misturam-se. Para mim isto é que é aprender. E eu gosto de aprender, de alargar horizontes, pensar em coisas que são novas para mim e desenvolver algum sentido crítico, mas depois há A tese. Com todo o formalismo, formatação, citações, fontes e … e eu já não tenho paciência para ir ver onde é que termina o que bebi de outros e onde começa o que é meu. E é aqui que eu constato que definitivamente não me vejo a fazer isto novamente ou em moldes quotidianos. Falta-me a arte, o engenho e sobretudo a paciência. Vamos ver se esta dissertação chega a bom porto. Mas mesmo que chegue, o próximo rumo será definitivamente diferente.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Constatações #4

O meu poder de síntese é inversamente proporcional ao meu cansaço.
(Já o stress costuma contribuir para aumentar o meu poder de síntese. Talvez não fosse mal pensado ir dormir e acordar lá para Setembro.)

O nirvana educacional

Normalmente durante as conversas em que o tema é enumerar os talentos dos filhos, fico calada. O meu filho tem 4 anos e ainda é trapalhão a falar. Não fala inglês, embora por vezes ainda se expresse em dialectos fantástico-incompreensíveis. Quando é para correr, fica sentado. Quando é para sentar, desata a correr. Só conhece os números até ao 10, sendo que não há vida para além do 20. Anda na natação e o que faz de melhor é chapinhar na água, embora seja muito bom a molhar toda a gente. Não sabe ler, não conhece as letras, nem escrever o seu nome. Também não faz desenhos lindos, nem pinta dentro do contorno. Tanto mundo lá fora à espreita e o raio do miúdo ainda não descobriu algo que me faça brilhar como mãe nessas conversas de recreio parentais, sendo que, obviamente, serei tanto melhor mãe, quantos mais talentoso o meu filho for. Contudo, tudo mudou desde ontem. Agora sim. Posso entrar de peito feito nas conversas sobre “o meu filho é híper-super-mega-especial. Sou mesmo uma mãe cheia de sorte por ter um filho tão precoce”. Descobri que o meu filho consegue matar moscas com um martelo pequenino. Tanto adulto que não consegue com um mata-moscas normal e ele, com apenas 4 anos, mata as moscas à primeira tentativa com um martelito com um diâmetro de uma moeda de 1 euro. É o céu. O nirvana. Agora já posso deixar as janelas abertas.