quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Agora não

Talvez um dia, quem sabe? Talvez um dia contorne as perguntas e aceda ao interior de ti. Saiba o que queres sonhar pela manhã e os sentidos que encontras nas palavras soltas. Mas agora não. Suspeito que talvez nunca. O mesmo nunca que nunca se deve dizer porque um nunca é sempre uma promessa perdida.

Deixa-me ficar por aqui, deitada sobre o pensamento vadio, sem rumo. Despida de tempo, lógica ou qualquer outra ordem que queiras impor.
Talvez mais tarde mas agora não.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Quase nada


Foto daqui

O amor
é uma ave a tremer
nas mãos de uma criança.
Serve-se de palavras
por ignorar
que as manhãs mais limpas
não têm voz.


Eugénio de Andrade

O meu primeiro contacto com este grande senhor foi através deste poema, inscrito num livro que então ia começar a ler. Vinte anos depois continua a ser um dos meus poetas preferidos.

domingo, 3 de julho de 2011

Dos (re)começos

Quando se começa algo que se gosta é muito difícil colocar um ponto final. Talvez seja por isso que prefiro as reticências…

Foto daqui

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Dos impossíveis

Há batalhas que demoram anos a serem vencidas. Quando o finalmente o são, deixam não um travo de vitória mas um rasgo de incredulidade. Será mesmo verdade? Consegui(mos)? E de repente o mundo sai do eixo normal e começa a girar em sentido contrário. E um admirável mundo novo surge diante dos olhos.
É preciso agora reaprender a viver com a realidade dos sonhos. Com os nossos impossíveis.

Afinal ainda há tempo para te chamar Alice.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Quando sais à rua pela manhã

Respiras profundamente, sentindo os aromas que te rodeiam. E não te dás conta mas fechas os olhos enquanto fazes. Em cadências suaves porque o tempo parou por agora, deixando-te por momentos entregue apenas ao prazer de sentir as fragrâncias que te envolvem. Manténs os olhos fechados. O tempo permanece à tua espera, sem pressa. Sem urgências, que a única urgência é tão-somente parar por uns instantes, a sentir as cores do dia. Ficas assim à porta de casa, quando sais à rua pela manhã.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Do que são feitos os sonhos?

Essa amálgama de desejos, medos e inconstâncias. Esse mundo que pertence a cada um em privado, despojado de lógica aparente e no entanto com um sentido escondido, sempre lá, sempre presente. Apetece-me fechar os olhos e deixar-me embalar pela melodia do impossível. Poisar a cabeça em ti. Sentir o teu respirar. Fazer do teu peito almofada onde me deleito a pensar em coisa nenhuma.

Do que são feitos os sonhos, se não de coisa alguma, coisa tanta, vezes sem conta. E quando adormeces, abraçado a mim, não sei o que sonhas, nem onde te levam os desejos e medos. Sei que por vezes acordo ainda com os teus braços em torno dos meus, o teu corpo junto a mim, a respiração cadenciada com a minha e uma expressão de tranquilidade no rosto.
Foto daqui

domingo, 20 de junho de 2010

Impossíveis

Possivelmente seria impossível viver sem eles.

domingo, 30 de maio de 2010

Tambolirando com as pontas dos dedos


Sou tempo de espera

Sou tiquetaque que não sossega

Sou constantemente inconstante

Sou azul

Sou quimera







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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Explicação da Eternidade

devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna até ao fim.
José Luís Peixoto


 

domingo, 23 de maio de 2010

Do silencio #4

Gosto de silêncios. A intensidade faz muitas vezes parte deste espaço de tempo mudo e ainda assim veste-me de cor quando nele habito. Sou pelos silêncios presentes, pelas ausências próximas, pelo pensamento vibrante e sentido. Sou pelo toque na palma da mão, percorrendo com a ponta do dedo todas as linhas da vida. Pelo encontro do olhar suspenso nas palavras que não são ditas. Sou pela tranquilidade, pela calma das horas sem rumo que desfilam sem pressa para terminar. Sou pelos abraços apertados quando tudo o resto é já sabido e sou ainda mais pelos abraços inesperados, sem palavras ou motivos expressos e que de tão intensos e sinceros se agarram a nós para sempre. Sou pela ausência de palavras mas não de sentidos. Pela partilha do indizível. Pelo momento. Sou pelos silêncios.

Foto daqui