sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Alguma coisa eu devo estar a fazer bem


Mãe, eu não quero ir à escolinha…
Porquê?
Porque eu não sou nenhum palhaço! Posso ir mascarado de mim?
Mas todos os meninos vão estar mascarados de palhaços também. É carnaval e é apenas um desfile.
Mãe, mas eu não quero. Não gosto de palhaços. Se eu não sou palhaço, não me vou mascarar de palhaço. Eu sou eu, mesmo no carnaval, não entendes?
Não o mascarei. Achei a argumentação bastante válida. E também eu não gosto de palhaços.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A escolha da guerra

Finanças, Conservatória, EDP, Águas cá do burgo, solicitadora, Imobiliária, fiadores e Centro de Emprego.

Tanto pitéu para me entreter que nem sei por onde vou começar. Isto é que vai ser cá uma festa… As coisas deviam ser como no tempo da guerra de 1908 do Solnado. Tudo muito bem organizado, com horários compatíveis, e sempre entre amigos, que a malta não está cá para se fazer velha antes do tempo, nem para aborrecer ninguém. Voltei, portanto, à minha vidinha normal como facilitadora de situações urgentes e estuchas inadiáveis, com especialização aplicada em resolução de berbicachos e imbróglios abrangentes em matérias do domínio público-administrativo, encontrando-me ainda em formação intensiva em questões imobiliárias jurídico-enervantes.

E as saudades que eu já tinha disto, hein?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

E depois acordei

Há duas semanas atrás eu estava muito feliz. Tinha conseguido a vaga, naquela que seria supostamente a minha área de formação e, apesar do ordenado ser uma miséria, isso não me demoveu, já que pelo menos tinha voltado ao activo. A vida está difícil, tenho um puto para criar e contas para pagar. Contas feitas ao combustível e portagens, acrescida do agravamento da mensalidade no infantário (uma IPSS), pouco ou nada sobrava mas, lá está, estava de volta ao mercado de trabalho e isso para mim era o mais importante.
Mas depois veio a realidade. Afinal quando na entrevista falavam em acompanhar projetos relacionados com a minha formação, na realidade o que eles queriam dizer era fazer secretariado. Depois o horário de trabalho que pontualmente poderia ser excedido, afinal transformou-se em maratonas de 10h e 11h seguidas, já que há reuniões também durante o almoço. E ao fim do dia. E à noite. E deslocações a serem feitas no meu próprio carro, e embora possa ser ressarcida em termos de combustível, não em agrada andar a palmilhar o país, sempre que for necessário, num chaço com mais de 300.000 km. Mas até aqui eu ainda estava disposta a continuar.
Agora que estou mais integrada, vejo que o ambiente é muito mau. Já trabalhei com pessoas difíceis, com pessoas filhas da mãe, capazes de tudo para subirem na hierarquia, posições horizontais incluídas, com pessoas intragáveis no trato e até com pessoas perturbadas mentalmente. Mas é a primeira vez que assisto a terrorismo psicológico ao vivo e de forma reiterada. Telefonemas da chefia que duram uma hora apenas para gritar e desancar. Várias vezes ao dia. Todos os dias. E só consigo pensar “onde é que eu me fui meter…”
Não sei o que fazer…

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Carrocel de emoções #3

Consegui!!! Eu consegui!!!! EU CONSEGUI!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Carrocel de emoções #2

Passei à fase seguinte no processo de recrutamento. Entrevista com o Big Boss e restante comitiva na sexta. Ó pá, era tão bom que desse certo! Só assim naquela de me fazer acreditar que afinal as coisas até podem correr bem, que as oportunidades sempre existem e temos de ser persistentes, nunca baixar os braços e continuar a mandar emails. Que desta vez vai correr ainda melhor e vou conseguir a vaga. Eu sei que o Natal já passou, mas eu ainda acredito em ti... Vá lá... Faz magia acontecer, sim?

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Carrocel de emoções

Nos últimos 3 dias fui chamada para uma entrevista de emprego. Andei a fugir a um carro que capotou várias vezes à minha frente. Tenho uma casa novamente para alugar e para reconstruir (e um prejuízo para cima de uma pipa de massa). Se há coisa que eu definitivamente não me posso queixar é de monotonia na minha vida.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Ao ano que fica para trás

Não gostei particularmente de ti. Não me trouxeste o sossego mental que preciso, nem noites calmas e tranquilas de sono. Mas deste-me muitos momentos de introspecção, de perda e de impotência. Levaste-me muitas vezes à beira da loucura, de sentir que estava a um pequeno passo de perder a razão e o discernimento, momentos esses que, de tão intensos, vão ficar para sempre gravados em mim. Mas também me fizeste perceber que, apesar de tudo, ainda consigo manter a capacidade de rir e de me sentir feliz. Tive demonstrações incríveis de amizade e carinho, que aconteceram sem ser planeadas e no momento certo, reacendendo um pouco de mim que estava adormecido. Este foi o ano em que doei a minha farta e longa cabeleira, numa promessa solitária que não partilhei com ninguém. E senti-me um pouco menos triste depois de o fazer, apesar de em nada me atenuar a saudade. O meu filho todos os dias me pergunta se o meu cabelo vai voltar a crescer e eu respondo que sim, mas que vai demorar bastante tempo. O que não lhe digo é que ele marca o ritmo da saudade, que cresce a cada dia que passa. Este foi ano em que mais abracei. E não tendo grandes conquistas para comemorar, então que este ano tenha valido a pena apenas por isso, pelos abraços que dei e recebi. Faltou-me apenas um abraço. Penso nele muitas vezes. Não são raras as ocasiões em que sinto uma grande serenidade e é nessas alturas em que penso que talvez esteja a sentir esse abraço que me faltava. Pelo menos gosto de pensar assim. Agora podes terminar. Não tenho mais nada para te dar, nem espero mais nada de ti. Finda e recomeça. Eu vou fazer o mesmo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Eu bem digo

Que as coisas me acontecem sempre em sequências temporais curtas. Ou não se passa nada, rigorosamente nada, e eu sou muito feliz durante esses períodos de tempo, ou acontece tudo e mais um par de botas ao mesmo tempo.

Pois andando eu ainda a refazer-me psicologicamente do meu encontro imediato com a aranha ENORME, que continua desaparecida algures dentro do volante (e nem quero pensar que ela possa estar noutro sitio qualquer do carro, senão então é que nunca mais lá entro), quando somos brindados com um belo exemplar ratídeo que resolveu mudar-se aqui para casa. Portanto, as noites são passadas em branco, enquanto sua excelência anda pelo telhado e nas paredes, ao mesmo tempo que se tenta explicar a uma criança de 4 anos que não consegue dormir por causa dos barulhos esquisitos (Ò mãe, são monstros assustadores, não são?), que tudo não passa de um gato brincalhão que anda a brincar sozinho, e que não há problema…
E apesar de não nutrir pelos ratos o mesmo medo irracional que tenho por aranhas, ainda assim não deixa de ser extremamente desgastante ouvir a noite toda, o xô doutor a roer sabe-se lá o quê e não puder fazer nada para o impedir. Sim, já está todo um arsenal montado para apanhar o intruso, mas também sei por experiências anteriores que isto pode ser tarefa muito difícil e sem garantias de sucesso.
Eu não sou a cat person, mas talvez tenha de me render a eles…

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Era uma vez…

Uma condutora que pensava que tinha apenas medo de aranhas. Sabia, por experiência, que estes pequenos e encantadores seres de 8 patas, lhe provocavam repulsa e arrepios, e procurava, a todo o custo, evitar encontros imediatos com estes seres tão patuscos do reino animal. Perante situações em que era confrontada com o vislumbre destes seres, saía prontamente pela porta que estivesse mais perto, saltava para o colo de quem estivesse sentado ao seu lado ou simplesmente desatava a correr sem direção definida, descrevendo muitas vezes círculos perfeitos, em perfeito desnorte.

Esta condutora, exímia condutora por sinal, ia em amigável e carinhosa cavaqueira com o seu pequeno príncipe de 4 anos e meio. Era já noite cerrada e um aparatoso acidente levou ao encerramento da estrada que os iria levar a casa e fez com que tivessem de regressar por uma estrada secundária muito pouco iluminada.
A conversa prosseguia para deleite da mãe, que ia concentrada a ouvir as histórias do pequeno petiz. Eis senão quando, pelo canto do olho, esta exímia condutora detecta um movimento suspeito sobre o volante, a escassos centímetros dos seus dedos. Na fração de segundo seguinte, dá-se uma explosão de adrenalina quando reconhece a silhueta inconfundível deste ser de oitos patas, e cuja dimensão das mesmas indiciava ser já de grande porte.
Com admirável destreza, atirou imediatamente o carro para a berma, ao mesmo tempo que acendia a luz do habitáculo. O que viu deixou-a complemente em pânico, mantendo apenas a lucidez suficiente para não desatar a gritar para não amedrontar o petiz. Era uma aranha ENORME com um diâmetro de sensivelmente 6 cm, bem constituída e robusta, que andava também ela em círculos sobre o volante.
Sem armas ou objectividade suficientes para procurar uma forma de se defender de tamanha ameaça, esta exímia condutora não foi capaz de fazer frente à sua terrível inimiga de 8 patas, uma vez que se encontrava quase em perfeito descontrolo emocional. O petiz, que observava curioso a estranha dança que a mãe fazia fora do carro, tentava ajudar “Mãe, eu só sou corajoso com aranhas pequenas… Com aranhas grandes não sou muito valente…”.
Sem discernimento para enfrentar o objecto do seu terror, e que entretanto se escondera algures sob o volante, e sem coragem para voltar a sentar-se no lugar onde momentos antes estivera a centímetros de estabelecer contacto físico com a intrusa octopatuda, a exímia condutora resolveu pedir ajuda ao seu cavaleiro andante, para que a fosse salvar da terrível aranha GIGANTESCA que agora habitava nos confins do volante.
Reza a história que a aranha ainda lá continua, mas apesar de não ter sido novamente avistada, nunca mais a exímia condutora voltou a conduzir aquele carro, para gáudio do seu cavaleiro andante que assim recuperou a posse da jóia da coroa. Apenas se sabe que a exímia condutora tem agora uma certeza: não é medo. É fobia mesmo.
Vitória, vitória, acabou-se a nossa história!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Socorro!

A minha mãe descobriu a internet e o Facebook. Anda possuída a comentar, a colocar gostos como se não houvesse amanhã, a partilhar tudo o que lhe aparece à frente. Já tem 9 amigos. Destes, 5 já querem ser meus amigos também. Liga para o cabeleireiro onde estou a desbastar a minha juba e pede, aflita, para me passarem o telefone. Atendo já em ânsias, coração a mil, é com certeza uma desgraça a caminho. Anna, como é que eu coloco o email aqui numa coisa que me apareceu e que diz que vou receber um Iphone, se responder dentro de 10 minutos?

Medo. Tenho medo. Muito medo…