quarta-feira, 5 de março de 2014

Disto de sair do país

Neste momento podia ter uma vida material melhor se tivesse aceitado uma proposta de trabalho no estrangeiro. Mas seria para mim impossível viver longe do meu filho. Levá-lo comigo e perder a ligação aos avós e ao pai seria igualmente incomportável. Levá-los ambos comigo não se traduziria em melhoria financeira uma vez que iria para uma das cidades mais caras do mundo, onde a educação com o mínimo de qualidade apenas é possível no sector privado e a preços exorbitantes.
Para mim a emigração não é solução.
Sei que não seria capaz de suportar a distância e a ausência. É por isso que, sempre que sei que mais alguém das minhas relações emigrou, fico triste e não consigo deixar de pensar que se trata de pessoas grandes, maiores, capazes de segurar amordaçado o coração e aguentar a saudade do lado de lá do skype. Eu não sou capaz. Talvez tenha de comer o pão que o diabo amassou, ou talvez não possa proporcionar uma pequena parte do que sonhei para o meu filho, mas sei que, enquanto puder vê-lo acordar de manhã feliz, isso é e será sempre a validação desta decisão. Triste país este que obriga a tantas partidas e a tanta ausência. 
Merecíamos melhor.
Todos nós.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

(...)

Os dias correm iguais.
Não passam de espaços com nomes diferentes.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Bem-vindos ao Terceiro Mundo

Quando faltam pensos, pilhas para os instrumentos de medição e não há disponíveis vacinas do plano nacional de vacinação, nem tão pouco sabem quando as voltam a ter, algo vai muito mal no reino de Portugal. Mas o povo é sereno, o Cristiano Ronaldo é o maior e isso é que é importante.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Descobrir a pólvora

Desde que fiquei no desemprego que têm sido inúmeros os currículos que enviei. E destes apenas uma parte residual teve resposta. O que eu acho deveras curioso é a opção que algumas empresas encontram para descobrirem o candidato ideal. Lançam o desafio de lhes enviarmos uma ideia fabulástica que alicerce o porquê de sermos uma mais-valia na empresa, uma ideia de negócio, com o respectivo retorno económico e depois logo avaliam o potencial do candidato. Eu até gosto de ser desafiada e colocar os neurónios a trabalhar mas quando isto começa a ser o modus operandi normal em processos de recrutamento, começa a cheirar a esturro. Primeiro porque ninguém me garante que, tendo uma boa ideia, esta não será aproveitada pela empresa sem que o candidato seja efectivamente integrado no projecto. E depois apenas mostra que nesta altura de crise vale quase tudo, naquilo que me parece ser cada vez mais uma exploração de quem está nesta situação. Ou seja, quer-me cá parecer que estas novas empresas que aparecem e que se dizem muito inovadoras na realidade vão buscar muita da inovação que apregoam às ideias que pedem nos processos de recrutamento. Se 20 candidatos responderem ao desafio e mostrarem 20 ideias com retorno económico, uma empresa que tem apenas o conceito geral se calhar até consegue ir longe. Se calhar consegue ir mesmo muito longe. Apenas tenho as minhas dúvidas se os 20 candidatos terão a mesma sorte.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Dias assim

Não consigo parar quieta. Imagino vezes sem conta como estará a correr. Abro o meu e-mail várias vezes, tantas quantas o fecho logo de seguida. Gostava de acreditar que irá correr tudo da melhor maneira. Que esta teia de coincidências não terminou aqui, hoje, algures numa sala de reuniões. Porque queria continuar a acreditar que as coisas boas acontecem mesmo. Sobretudo aquelas que não planeamos, mas que ainda assim desejámos, muito, que acontecessem. Hoje é um dia lento. Um dia que demora a girar. A acontecer. E eu queria tanto que acontecesse…

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Nesta época de partilha…

Gostava de partilhar que o meu estendal não faz parte dos cabazes de Natal que nesta altura é costume oferecer. Hoje foram dois boxers. Ontem foram dois pares de meias. Na semana passada uns calções No mês passado uns ténis e em Outubro umas botas. Isto que eu tenha dado conta. Bem sei que têm tido o cuidado de deixar as molas no cesto respectivo, arrumam o estendal e até quando as meias não fazem par as deixam penduradas noutro sítio qualquer. Temos de ser uns para os outros é verdade, mas agradecia que, de futuro, deixassem de me visitar o pátio e procurassem as instituições competentes, onde por sinal até vou, de vez em quando, deixar roupa. É que já perdi conta às meias desirmanadas e os calções que levaram até já estavam remendados. Bem sei que é de noite e a luz não ajuda, mas sinceramente, isto não é a casa da mãe Joana. Como eu não pretendo andar sempre a ver se tenho amigos da roupa alheia no pátio, informo que doravante não vão encontrar mais roupa estendida. Adeus estendal. Olá máquina de secar!

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Vão-se os bons

Pensava que tínhamos mais tempo. Que ainda não tinha chegado o fim da linha. Por isso não me despedi de ti. Mas isso é mentira… A verdade é que não sabia o que te dizer e não conseguia compreender o que dizias. Desculpa. Mas o que sempre te quis dizer, disse-o à cerca de 12 anos atrás, lavada em lágrimas. Foi talvez a maior descarga emocional que tive na vida, nem sei explicar bem porquê. Nessa altura abracei-vos com muita força, convicta que poucos seriam os momentos na minha vida em que me sentiria assim. Em que vos sentiria assim. E a única coisa que me consola é que pelo menos uma vez na vida te disse o quão importante eras para mim.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A tempestade perfeita

Continue-se a construir em leito de cheia. Não cortar as canas nem desentupir as sargetas e caleiras. Não reflorestar. Depois é só juntar uma ou duas horas de chuva intensa, como seja aquela que resulta da formação de uma gota de ar frio logo ali a seguir ao Verão, quando as temperaturas ainda estão elevadas e as massas de ar conseguem absorver muito mais água, e se vier de sudoeste então, melhor ainda. Preferencialmente que esta situação seja coincidente com a preia-mar e ocorra em zonas densamente impermeabilizadas et voilá. Já está! Não é assim tão difícil, pois não?

A tempestade quase perfeita

Estragares a fechadura da porta da entrada que dá diretamente para a rua num dia em que chove a potes. Valha-me a habilidade do Ti Vicente e uma esfregona. Salve-se o parquet e cure-se a constipação. Ai, o Outono, essa estação tão bonita…

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Back to life, back to reality…

Era bom, mas acabou-se. Volto à minha sina de desempregada… optimismo precisa-se. E muito.