Neste momento podia ter
uma vida material melhor se tivesse aceitado uma proposta de trabalho no
estrangeiro. Mas seria para mim impossível viver longe do meu filho. Levá-lo
comigo e perder a ligação aos avós e ao pai seria igualmente incomportável.
Levá-los ambos comigo não se traduziria em melhoria financeira uma vez que iria
para uma das cidades mais caras do mundo, onde a educação com o mínimo de
qualidade apenas é possível no sector privado e a preços exorbitantes.
Para mim
a emigração não é solução.
Sei que não seria capaz de suportar a distância e a
ausência. É por isso que, sempre que sei que mais alguém das minhas relações
emigrou, fico triste e não consigo deixar de pensar que se trata de pessoas
grandes, maiores, capazes de segurar amordaçado o coração e aguentar a saudade
do lado de lá do skype. Eu não sou capaz. Talvez tenha de comer o pão que o
diabo amassou, ou talvez não possa proporcionar uma pequena parte do que sonhei
para o meu filho, mas sei que, enquanto puder vê-lo acordar de manhã feliz,
isso é e será sempre a validação desta decisão. Triste país este que obriga a
tantas partidas e a tanta ausência.
Merecíamos melhor.
Todos nós.
quarta-feira, 5 de março de 2014
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Bem-vindos ao Terceiro Mundo
Quando faltam pensos, pilhas para os instrumentos de medição
e não há disponíveis vacinas do plano nacional de vacinação, nem tão pouco
sabem quando as voltam a ter, algo vai muito mal no reino de Portugal. Mas o
povo é sereno, o Cristiano Ronaldo é o maior e isso é que é importante.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Descobrir a pólvora
Desde que fiquei no desemprego que têm sido inúmeros
os currículos que enviei. E destes apenas uma parte residual teve resposta. O
que eu acho deveras curioso é a opção que algumas empresas encontram para
descobrirem o candidato ideal. Lançam o desafio de lhes enviarmos uma ideia
fabulástica que alicerce o porquê de sermos uma mais-valia na empresa, uma
ideia de negócio, com o respectivo retorno económico e depois logo avaliam o
potencial do candidato. Eu até gosto de ser desafiada e colocar os neurónios a
trabalhar mas quando isto começa a ser o modus
operandi normal em processos de recrutamento, começa a cheirar a esturro.
Primeiro porque ninguém me garante que, tendo uma boa ideia, esta não será
aproveitada pela empresa sem que o candidato seja efectivamente integrado no
projecto. E depois apenas mostra que nesta altura de crise vale quase tudo,
naquilo que me parece ser cada vez mais uma exploração de quem está nesta
situação. Ou seja, quer-me cá parecer que estas novas empresas que aparecem e
que se dizem muito inovadoras na realidade vão buscar muita da inovação que
apregoam às ideias que pedem nos processos de recrutamento. Se 20 candidatos
responderem ao desafio e mostrarem 20 ideias com retorno económico, uma empresa
que tem apenas o conceito geral se calhar até consegue ir longe. Se calhar
consegue ir mesmo muito longe. Apenas tenho as minhas dúvidas se os 20 candidatos
terão a mesma sorte.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Dias assim
Não consigo parar quieta. Imagino vezes sem conta como
estará a correr. Abro o meu e-mail várias vezes, tantas quantas o fecho logo de
seguida. Gostava de acreditar que irá correr tudo da melhor maneira. Que esta
teia de coincidências não terminou aqui, hoje, algures numa sala de reuniões. Porque
queria continuar a acreditar que as coisas boas acontecem mesmo. Sobretudo
aquelas que não planeamos, mas que ainda assim desejámos, muito, que
acontecessem. Hoje é um dia lento. Um dia que demora a girar. A acontecer. E eu
queria tanto que acontecesse…
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Nesta época de partilha…
Gostava de partilhar que o meu estendal não faz parte dos
cabazes de Natal que nesta altura é costume oferecer. Hoje foram dois boxers.
Ontem foram dois pares de meias. Na semana passada uns calções No mês passado
uns ténis e em Outubro umas botas. Isto que eu tenha dado conta. Bem sei que têm
tido o cuidado de deixar as molas no cesto respectivo, arrumam o estendal e até
quando as meias não fazem par as deixam penduradas noutro sítio qualquer. Temos
de ser uns para os outros é verdade, mas agradecia que, de futuro, deixassem de
me visitar o pátio e procurassem as instituições competentes, onde por sinal
até vou, de vez em quando, deixar roupa. É que já perdi conta às meias
desirmanadas e os calções que levaram até já estavam remendados. Bem sei que é
de noite e a luz não ajuda, mas sinceramente, isto não é a casa da mãe Joana. Como
eu não pretendo andar sempre a ver se tenho amigos da roupa alheia no pátio,
informo que doravante não vão encontrar mais roupa estendida. Adeus estendal.
Olá máquina de secar!
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Vão-se os bons
Pensava que tínhamos mais tempo. Que ainda não tinha chegado
o fim da linha. Por isso não me despedi de ti. Mas isso é mentira… A verdade é
que não sabia o que te dizer e não conseguia compreender o que dizias.
Desculpa. Mas o que sempre te quis dizer, disse-o à cerca de 12 anos atrás,
lavada em lágrimas. Foi talvez a maior descarga emocional que tive na vida, nem
sei explicar bem porquê. Nessa altura abracei-vos com muita força, convicta que
poucos seriam os momentos na minha vida em que me sentiria assim. Em que vos
sentiria assim. E a única coisa que me consola é que pelo menos uma vez na vida
te disse o quão importante eras para mim.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
A tempestade perfeita
Continue-se a construir em leito de cheia. Não cortar as
canas nem desentupir as sargetas e caleiras. Não reflorestar. Depois é só
juntar uma ou duas horas de chuva intensa, como seja aquela que resulta da
formação de uma gota de ar frio logo ali a seguir ao Verão, quando as
temperaturas ainda estão elevadas e as massas de ar conseguem absorver muito
mais água, e se vier de sudoeste então, melhor ainda. Preferencialmente que
esta situação seja coincidente com a preia-mar e ocorra em zonas densamente impermeabilizadas
et voilá. Já está! Não é assim tão difícil, pois não?
A tempestade quase perfeita
Estragares a fechadura da porta da entrada que dá diretamente
para a rua num dia em que chove a potes. Valha-me a habilidade do Ti Vicente e
uma esfregona. Salve-se o parquet e cure-se a constipação. Ai, o Outono, essa
estação tão bonita…
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Back to life, back to reality…
Era bom, mas acabou-se. Volto à minha sina de desempregada…
optimismo precisa-se. E muito.
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