sexta-feira, 17 de março de 2017

War zone

Passar a noite a trocar lençois, limpar vomitados do chão, esfregar tapetes que ganharam toda uma nova textura, cheiro e cor, dar banhos de madrugada, mudar fraldas, dar de mamar a cada 2/3 horas, acalmar choros em versão estereofónica, com cada um debaixo de uma asa. Acho no meu currículo vou passar a destacar a parte da gestão de crises e capacidade de trabalho sob stresse. Depois disto estou preparada para tudo. TUDO. 

terça-feira, 14 de março de 2017

Anna, a optimista

Por breves dias (2 dias na realidade) ainda pensei que finalmente me  tinha calhado um come-e-dorme, mas parece que afinal apenas o é em part-time. Apenas durante o dia, pois está claro, que as noites não foram feitas para dormir. Oh pá, a sério! não sei como é que ainda continuo a acreditar no pai natal.

(mas aquelas bochechas, senhores, aquelas bochechas fazem esquecer-me de tudo)

sábado, 4 de março de 2017

Não faço jus ao momento

Porque não sei passar para palavras este sentimento de felicidade.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

T minus alguns dias

Ok. É oficial. Estamos em contagem decrescente e com data definida. Se por um lado é bom saber qual é o dia D (de Desovar), por outro lado cresce aquele misto de ansiedade vs nervoso miudinho. Mas claro que há coisas que nunca mudam (um grande saravá à minha completa descontração face a tudo o que envolve uma grande logística, também conhecida como preguiça, como por exemplo a verificação do estado de alguns apetrechos de puericultura que, como tudo na vida, precisam de manutenção). E é assim que a míseros dias, quiçá horas, de parir ainda ando de volta de forras de ovos e estados de alcofas e afins, já para não falar que pelo meio ainda tenho de coordenar (breve apontamento fashion) aka improvisar as máscaras de carnaval do mai velho (oh... pausa para apreciar o momento em que pela primeira vez me refiro a ele assim), o que vale é que é que o tema escolhido pela escolinha é "mendigos" (e eu agora podia fazer tantos trocadilhos sobre isto face aos prognósticos de futuro desta família, mas vou deixar passar por agora, que os tempos são de esperança) e é da maneira que sempre dou uso a alguma das calças que ele rasga por semana. Enfim, está tudo perfeitamente sob (des)controlo, mas também não se pode ser muito exigente a esta altura do campeonato.
Se eu podia fazer tudo com tempo e sem ser a correr? Podia. Mas não era a mesma coisa.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Em modo monocromático*

Isto está quase. Isto está quase. Isto está quase. Isto está quase.

(Não está nada, ainda tenho mais três semanas até ao deadline, mas a malta tem que se animar com qualquer coisa e toooooooda a gente sabe que uma grávida também não diz nada de jeito, tem uma memória de peixe e o seu discurso nesta fase é chato com’á potassa, pouco variando entre lamentos por não arranjar posição para dormir ou porque está sempre com azia, ou porque os pés são já uns trambolhos à conta da retenção de líquidos. Somos um sumidouro de paciência, a começar pela nossa, pois por muito que uma pessoa se queira abstrair, tudo chateia, aborrece ou irrita, a começar pela rotineira pergunta do quanto tempo falta, acabando nas malfadadas conversas sobre partos, com particular ênfase naqueles que a) não correram bem; b) demoraram séculos; c) foram experiências transcendentais na vida dos pais. Pessoas, been there, done that. Por alguma razão, eu apaguei/recalquei parte do parto anterior, ok? Não me interessa saber o que correu bem ou mal ou assim/assim. Já só queremos chegar à meta desta maratona. Estamos quase em modo rastejante, a autonomia reduzida a uma hora de locomoção ou menos e tudo o resto é insignificante face à dimensão desta barriga. O mundo pode estar à beira do fim. A única coisa que ecoa em mim é: isto está quase. Isto está quase. Isto está quase. Isto está quase).
* também poderia ser "in repeat", mas não me ocorre agora nenhuma música particularmente irritante. Ou melhor, até acorre mas eu já ando chata o suficiente.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A graciosidade de um elefante numa loja de porcelanas

Teres de chamar alguém mais elegante do que tu (não é difícil), para te tirarem o carro do estacionamento, porque os condutores dos veículos adjacentes não deixaram uma distância razoável para conseguires abrir as portas e entrares no teu próprio carro.

A-D-O-R-O fazer figuras tristes em público...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

A ignorância é uma benção

Se não soubesse ao que ia, agora estaria provavelmente como estava há quase seis anos atrás: calma e serena. Mas não. À medida que a data se aproxima, cresce em mim uma inquietação que eu não contava sentir. Por mais que eu repita para mim mesma que vai tudo correr bem.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Baseado em factos reais

É bonito ver a solidariedade dos outros em acção. Quem é que nunca ficou tocado pela bondade alheia, genuína e desinteressada? Quem é que nunca teve vontade de seguir algo parecido com os “favores em cadeia” e dar início a uma corrente de actos nobres e sentidos, despojados de reconhecimento público, mas apenas pelo simples prazer de fazer o Bem, promovendo a harmonia e esse sentimento fugaz de felicidade pela realização de uma boa-acção a outros?
Deve ter sido mais ou menos isto que deve ter passado pela cabeça de uma determinada pessoa minha conhecida, quando me resolveu “oferecer” um emprego a tempo inteiro remunerado bastante abaixo do salário mínimo nacional… por ser um favor que me está a fazer.
E eu? Eu primeiro fiquei boquiaberta. Depois tentei assimilar a informação e sobretudo a justificação e por último tive de declinar tão nobre “convite”. Que fazer? Sou uma ingrata, está visto.

(Isto teria graça se não tivesse sido real)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Querido diário

Começo por onde?
Pelo facto de agora sermos 2 os desempregados cá em casa ou por estar com varicela e grávida aos 40 anos?
Por estar ansiosa que este puto esteja cá fora, e já a contar as semanas que ainda faltam e agora, ai que não pode ser, e que o bebé tem de ganhar imunidade para não apanhar também varicela, temos de esperar o máximo de tempo possível até ao parto. Mas como é que nunca teve varicela? 99%  da população já teve, sou médica há tantos anos e é primeira grávida que vejo com varicela. E tem quantos anos? 40? Santo Deus... Sim, sou uma ave rara, uma preciosidade jurássica, ... sou muito original, ou então não, para quê uma gravidez normal, quando há tantas mais emoções que se podem experimentar. Afinal, esta até estava a correr tão bem, apenas há ali um possível pé boto, mas que depois do parto logo se irá avaliar, e uma pessoa até pensa, olha afinal isto até pode ser giro quando não há complicações de maior. Mas não, toma lá morangos e uma comichão desgraçada, corpo todo coberto de borbulhas que é para acordares para a vida. E que vida, que se mais alguém me vem com a conversa de uma porta fechada e da janela aberta leva com um murro nas trombas uma resposta muito pouco diplomática, que eu estou cansada de metáforas bonitas e frases motivacionais sobre mudanças de vida. A única mudança que eu genuinamente gostava era um pouco de normalidade, mas acho que vou ter de me aguentar à bomboca e pensar que, comparado com 2016, 2017 está já a ganhar em adrenalina e emoções e ainda só vamos nos primeiros 12 dias, calma coração, que isto compõe-se, afinal o que seria de mim se isto fosse tudo um mar de rosas? depois ia-me queixar do quê? Humm? Ahhhhhhhhhhh.....estou cansada e vou ali tomar um banho de imersão para ver se esta #$%& desta comichão me passa.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Maior que o mundo

Expliquei-lhe com calma que não estava doente e que estava tudo bem. Que apenas tive de levar uma pica na barriga para ver se estava tudo bem com o mano, tal como ele tive de levar uma pica para fazer análises no Verão e que o médico tinha dito para eu ficar deitada por uns dias. Olhou para mim e pediu para se deitar ao meu lado, enquanto fazia festinhas na minha cara. Tinha os olhos marejados em lágrimas. Doeu muito, mamã? eu não quero que te doa.

Não sei durante quanto tempo o mantive abraçado a mim. Nem quem confortava quem. Nem isso importa na verdade.