sábado, 12 de agosto de 2017

As conquilhas e eu

Então, Anna Blue, que contas tu? Pois que a vida me corre bem, mas se calhar é mais prudente falar baixinho, para não atrair o mau agoiro, sobretudo agora que se respira um pouco de alívio. Corre-me bem porque estou a adorar este meu novo trabalho, creio mesmo que foi preciso andar uma vida inteira às voltas para chegar até aqui. Gosto do que faço, gosto das pessoas, gosto do ambiente, estou a aprender imenso, dão-me rédea solta para crescer profissionalmente, sem medo de falhar ou de ter hesitações, e ainda por cima estou ao lado de casa. Sinceramente, se há uns tempos atrás me dissessem que isto me ia acontecer, eu não acreditaria. Mas parece que sim, que nem sempre o Diabo está atrás da porta. Agora é tempo para, a pouco e pouco, ir continuando outros projectos que ficaram temporariamente em stand by, porque a vida dá demasiadas voltas para se ter algo como garantido. Hoje, estou aqui. Amanhã não sei. É um bocado como as conquilhas*. 

* silly season mode on.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

E que tal agora?

Cravaram-me para escolher umas músicas para colocar nuns vídeos, coisa para se ir fazendo nas calmas, sem stress. Acontece que uma pessoa se põe a ouvir música que já não ouvia há muito e depois começa a ir picando aqui e ali, e não tarda nada já está a ouvir albuns inteiros que já não ouvia há c'anos (abençoadinho youtube) e depois quando dá por si é já madrugada adentro. Claro que o facto de amanhã ser o primeiro dia de trabalho é apenas mera coincidência, afinal eu só tenho até Setembro para ter a lista pronta.

A idade trouxe-me muita coisa, mas sono na véspera de começar um novo trabalho não foi uma delas...

terça-feira, 4 de julho de 2017

Eu bem digo que a vida me é irónica #2

Quais são as probabilidades de:
a) Entregar um CV (por descargo de consciência) às 20h00 do último dia útil de candidatura, que por acaso é uma sexta-feira. Ser chamada para uma entrevista para as 10h00 do dia seguinte (sábado) e saber que fiquei com o lugar às 12h00 de segunda-feira?
b) Ser um emprego perto de casa (dá para ir a pé, caraças!)
c) Ser-me dada toda a liberdade para continuar a amamentar
d) Regressar a uma área onde já fui muito feliz (formação)
e) ter o senhor meu marido arranjado emprego também no mesmo fim de semana, na área que agora pretende seguir e que está completamente alinhada com o salto que pretendemos dar.
f) serem empregos para entidades diferentes mas em que ambas se complementam entre si.
g) serem o resultado de uma série de coincidências que começaram com um vislumbre de qualquer coisa assim que iniciamos as diligências para nos lançarmos.

É incrível o poder dos astros quando se alinham...

Claro que meia dúzia de horas depois o pc estoirou e perdemos o disco (e grande parte de uma vida em fotografias, coisa que ainda estou a digerir, sobretudo porque ainda não tinha feito backup das fotos do benjamim da família), só naquela para nos lembrar que devemos continuar com os pés assentes na terra...

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Teimosia, preguiça ou a vã glória de tentar

Uma pessoa é basicamente um reservatório de leite ambulante e tem, por isso mesmo, de andar com um pequeno buda de 7 kg atrás*. Essa mesma pessoa sabe a trabalheira que dá tirar o carrinho da bagageira do carro, tirar o ovo e colocá-lo no carrinho e depois repetir o processo inverso para entrar no carro. E essa pessoa sabe também que vai passar o dia a entrar e sair do carro e que de uma forma geral o nosso ambiente urbano não está preparado para carrinhos de bébes e cadeiras de rodas. De maneiras que essa mesma pessoa acha que se vai chatear menos se acartar com o ovo do que andar a fazer gincanas pelos passeios e andar a carregar com o carrinho e o ovo pelas escadas (porque apesar de tudo a maior parte dos edificios continua a não ter rampas de acesso e elevadores operacionais).
E uma pessoa, a mesma pessoa que teve esta sequência de ideias geniais, acorda no dia seguinte sem perceber porque carga d'água mal se consegue mexer, que não há movimento que não resulte em dor em algum músculo. 

*Sim, existem outras opções mas uma pessoa é teimosa e não pretende que esta amostra de gente se confunda com biberons e mantém a teima de que consegue continuar a fazer tudo à mesma. 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Sem título

Nada vou acrescentar ao que já foi dito sobre esta tragédia de Pedrogão Grande. Apenas que, tal como tantas outras pessoas, eu já fiz aquela estrada, num programa familiar, numa tarde de Verão. E, por muito que eu queira, que quero, não consigo esquecer aquela família de Sacavém, isto não me sai da cabeça. Eu sei que a psicologia explica, que as hormonas que ainda andam aqui aos saltos e tudo mais, mas não consigo esquecer.
Não consigo.
A única coisa que me apazigua na mesma medida que me consome são os longos abraços que dou aos meus filhos.

sábado, 20 de maio de 2017

About October

Quero muito. Tenho uma série de circunstâncias que me podem impedir de ir, sobretudo uma cirurgia que me vai atirar para modo "repouso absoluto" durante cerca de 2 semanas por volta dessa altura. Mas depois tenho o dedo ali bem perto do click de "comprar" e estou assim de carregar. Ainda por cima já tenho companhia da boa e tudo... 


(The National - About Today)

sábado, 13 de maio de 2017

Avestruz emocional

Depois de ser mãe nunca mais consegui ficar imune a filmes, imagens, histórias ou relatos que envolvam histórias tristes, maus tratos ou morte de crianças. Abriu-se uma ligação directa entre o coração e as lágrimas, o que apesar de perceber a razão subjacente, é ainda assim de díficil explicação a facilidade com que me emocionava, porque eu fui educada sob a máxima de"uma mulher não chora". E a verdade é que nos momentos mais tristes da minha vida eu não consegui verter uma lágrima, e como teria sido catártico se o tivesse conseguido. Ter-me-ia poupado a muita coisa. Ter recuperado algum escape emocional fez-me sentir mais humana novamente e sobretudo aliviar-me emocionalmente de fardos que me remoem de tempos a tempos. 
Depois de ter sido mãe novamente, essa ligação directa voltou a fechar-se. Agora é como se um muro se tivesse erguido. Não sou capaz sequer de ler algo se suspeitar que vai roçar sequer essa temática. Sou uma avestruz emocional. Coloco a cabeça na areia e ignoro completamente, ao ponto de interromper o meu interlocutor e pedir-lhe para parar com a história. O mundo não é cor-de-rosa, mas dispenso a contaminação do meu mundo com males que não consigo evitar ou combater. E com isto perdi a minha ligação directa... 

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Borboletas na barriga

Às vezes gosto de pensar que a vida me colocou nesta situação para me obrigar a dar este salto de fé. Que toda a minha vida, a nossa vida, se emaranhou de forma a estarmos exactamente aqui, nesta encruzilhada, para tomar mais esta decisão, escolher este caminho. Penso nas voltas que percorri, nos empregos que tive, nas oportunidades que agarrei, nas portas se fecharam na minha cara, no que perdi e no que ficou depois disso. E se nada mais houver a perder, porque não saltar de cabeça? Tenho estado a preparar o salto, a colocar as cordas a passar pelos sítios certos, a estudar os ventos e os locais onde quero cair. Estou com os pés junto ao precipicio, dedos a tactear o limite onde o nada começa e a terra acaba, a olhar lá para baixo e a pensar que isto pode ser uma viagem do c******. Estou a ganhar coragem porque sei que vou andar com o estômago na boca quando começar, mas sinto que vou saltar. Falta-me reunir o resto da coragem, fechar os olhos, agarrar o estômago, deixar-me ir.
Vamos saltar?

sexta-feira, 17 de março de 2017

War zone

Passar a noite a trocar lençois, limpar vomitados do chão, esfregar tapetes que ganharam toda uma nova textura, cheiro e cor, dar banhos de madrugada, mudar fraldas, dar de mamar a cada 2/3 horas, acalmar choros em versão estereofónica, com cada um debaixo de uma asa. Acho no meu currículo vou passar a destacar a parte da gestão de crises e capacidade de trabalho sob stresse. Depois disto estou preparada para tudo. TUDO. 

terça-feira, 14 de março de 2017

Anna, a optimista

Por breves dias (2 dias na realidade) ainda pensei que finalmente me  tinha calhado um come-e-dorme, mas parece que afinal apenas o é em part-time. Apenas durante o dia, pois está claro, que as noites não foram feitas para dormir. Oh pá, a sério! não sei como é que ainda continuo a acreditar no pai natal.

(mas aquelas bochechas, senhores, aquelas bochechas fazem esquecer-me de tudo)