Há batalhas que demoram anos a serem vencidas. Quando o finalmente o são, deixam não um travo de vitória mas um rasgo de incredulidade. Será mesmo verdade? Consegui(mos)? E de repente o mundo sai do eixo normal e começa a girar em sentido contrário. E um admirável mundo novo surge diante dos olhos.
É preciso agora reaprender a viver com a realidade dos sonhos. Com os nossos impossíveis.
Afinal ainda há tempo para te chamar Alice.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
terça-feira, 27 de julho de 2010
Quando sais à rua pela manhã
Respiras profundamente, sentindo os aromas que te rodeiam. E não te dás conta mas fechas os olhos enquanto fazes. Em cadências suaves porque o tempo parou por agora, deixando-te por momentos entregue apenas ao prazer de sentir as fragrâncias que te envolvem. Manténs os olhos fechados. O tempo permanece à tua espera, sem pressa. Sem urgências, que a única urgência é tão-somente parar por uns instantes, a sentir as cores do dia. Ficas assim à porta de casa, quando sais à rua pela manhã.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Do que são feitos os sonhos?
Essa amálgama de desejos, medos e inconstâncias. Esse mundo que pertence a cada um em privado, despojado de lógica aparente e no entanto com um sentido escondido, sempre lá, sempre presente. Apetece-me fechar os olhos e deixar-me embalar pela melodia do impossível. Poisar a cabeça em ti. Sentir o teu respirar. Fazer do teu peito almofada onde me deleito a pensar em coisa nenhuma.
Do que são feitos os sonhos, se não de coisa alguma, coisa tanta, vezes sem conta. E quando adormeces, abraçado a mim, não sei o que sonhas, nem onde te levam os desejos e medos. Sei que por vezes acordo ainda com os teus braços em torno dos meus, o teu corpo junto a mim, a respiração cadenciada com a minha e uma expressão de tranquilidade no rosto.
Do que são feitos os sonhos, se não de coisa alguma, coisa tanta, vezes sem conta. E quando adormeces, abraçado a mim, não sei o que sonhas, nem onde te levam os desejos e medos. Sei que por vezes acordo ainda com os teus braços em torno dos meus, o teu corpo junto a mim, a respiração cadenciada com a minha e uma expressão de tranquilidade no rosto.
Foto daqui
domingo, 20 de junho de 2010
domingo, 30 de maio de 2010
Tambolirando com as pontas dos dedos
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Explicação da Eternidade
devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.
os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.
por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.
os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.
foste eterna até ao fim.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.
os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.
por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.
os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.
foste eterna até ao fim.
José Luís Peixoto
domingo, 23 de maio de 2010
Do silencio #4
Gosto de silêncios. A intensidade faz muitas vezes parte deste espaço de tempo mudo e ainda assim veste-me de cor quando nele habito. Sou pelos silêncios presentes, pelas ausências próximas, pelo pensamento vibrante e sentido. Sou pelo toque na palma da mão, percorrendo com a ponta do dedo todas as linhas da vida. Pelo encontro do olhar suspenso nas palavras que não são ditas. Sou pela tranquilidade, pela calma das horas sem rumo que desfilam sem pressa para terminar. Sou pelos abraços apertados quando tudo o resto é já sabido e sou ainda mais pelos abraços inesperados, sem palavras ou motivos expressos e que de tão intensos e sinceros se agarram a nós para sempre. Sou pela ausência de palavras mas não de sentidos. Pela partilha do indizível. Pelo momento. Sou pelos silêncios.
Foto daqui
Foto daqui
domingo, 16 de maio de 2010
Flying to my dreams
Abrir os braços em direcção ao infinito. Ficar a planar sentindo o vento a atravessar-me. Manter os olhos abertos enquanto o coração me bate descompassadamente dentro do peito. Sentir crescer em mim a confiança de chegar lá, mais longe. Acalmar as dores de barriga, as vertigens e o nervoso. E deixar-me simplesmente ir…
Vou voar.
Eu vou finalmente voar.
Vou voar.
Eu vou finalmente voar.
Foto daqui
domingo, 9 de maio de 2010
A volta do correio
Anda com um postal de Cuba no meio das coisas de trabalho. Cores quentes. Impera o verde, o laranja e o amarelo. As figuras têm a pele curtida pelo tempo. E tempo parece ser o que mais têm para gastar. Não retrata paisagens ou murais à revolução. Não aparecem referências a Che, charutos, mojitos ou carros dos anos 50. É apenas um pedaço de tempo suspenso em que 3 velhotes estão em volta de uma mesa velha e vazia. Para onde quer que vá, o postal segue viagem também. Com ele já percorreu vários continentes. Perguntaram-lhe porquê. Porque tinha sido uma oferta. E todas as ofertas levam consigo um pouco de quem as deu. Fiquei surpresa. Nem me lembrava que tinha sido uma oferta minha, tantos foram os anos que passaram. E mesmo antes de saber disso, a primeira coisa em que pensei quando vi o postal foi que esta seria uma imagem que eu teria escolhido para mim.
Foto daqui
terça-feira, 27 de abril de 2010
Se a vida te dá limões...
…faz o que te apetecer com eles.
Tenho andado numa roda-viva nos últimos meses, dividindo o meu tempo entre a capital algarvia e a minha casa. São já tantas as vezes que fiz e desfiz a mala que já nem me dou ao trabalho de arruma-la nos intervalos. Foram muitas noites a fazer directas. Muitos dias a trabalhar sem tempo para ver a luz natural. Muitas viagens à chuva. Agora que é chegada a recta final, o S. Pedro resolveu finalmente colaborar e dar tréguas por uns tempos. Continuo a ter de trabalhar à noite, mas desta vez tenho aproveitado as manhãs para caminhadas na praia e belos banhos de mar. Efeito terapêutico garantido. Sensação de leveza e bom-humor persistente. Se eu podia continuar a trabalhar que nem uma maluca? Podia, mas não era a mesma coisa…
sábado, 24 de abril de 2010
Substituir o "se" pelo "quando"
Quando eu conseguir fazer isto de forma natural e inconsciente, estarei finalmente no caminho certo para chegar onde quero.
Quando eu me permitir sonhar, soltar os pés do chão e deixar-me ir pelos caminhos que ainda não são meus, estarei mais perto da tranquilidade que ambiciono e que me invade apenas de forma fugaz.
Foto daqui
Quando eu me permitir sonhar, soltar os pés do chão e deixar-me ir pelos caminhos que ainda não são meus, estarei mais perto da tranquilidade que ambiciono e que me invade apenas de forma fugaz.

Foto daqui
domingo, 18 de abril de 2010
Aromas mediterrânicos
Um dos pequenos prazeres que me concedo é fazer uma sopa de queijo regada com azeite e orégãos. Acompanhada com pão alentejano e um bom tinto (nem precisa ser reserva).
DIVINAL.
Se vier acompanhada com boa conversa melhor ainda.
Foto daqui
DIVINAL.
Se vier acompanhada com boa conversa melhor ainda.
Foto daqui
quarta-feira, 14 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Diz-me...
De quantos mundos é feito o teu mundo?
E de quantas noites são feitos os teus dias?
Quais as cores que iluminam a tua existência?
Que perguntas tu ao vento?
Que sombras escurecem o teu brilho?
Que vícios arrumas em caixas de papel?
Que aromas vestes pela manhã?
Que silêncios te acompanham ao deitar?
E que ausências recordas ao amanhecer?
Que saudade te tolda o olhar?
Que afectos te completam?
Quantos barcos lançaste ao mar?
E quantos ficaram no cais?
Que músicas povoam os teus descansos?
Qual o rumo do teu sentido?
Diz-me…
Foto daqui
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Breathing Earth
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Intermitências da vida
Há espaços na minha vida que não consigo unir. Faltam-me etapas, passos, pedaços de tempo por colorir. Ao longo daquela conversa dei-me conta que ainda não consegui erguer as pontes que necessito para fazer a travessia completa. Daqui para lá. Sem regressos. Foto daqui
quinta-feira, 1 de abril de 2010
(parêntesis)
Artigo 13.º da Constituição
(Princípio da igualdade)
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
Ora bem, se somos todos iguais, porque raio não tenho também tolerância de ponto?
quarta-feira, 31 de março de 2010
Chase my blues away
É bom quando me roubas uma gargalhada. E que a levas depois contigo. É bom quando te surpreendes e reencontras uma parte tua perdida em mim.
Foto daqui
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sábado, 27 de março de 2010
Mistral
Lembro-me muitas vezes de ti. Percorres o tempo sem te deteres. Passas uma e outra vez por mim. Veloz. Frio. Indiferente. Tentei encerrar-te num momento. Conter-te. Definir-te. Segurar-te entre os dedos de uma mão nua. Abrigar o teu cheiro na minha memória. Procurei-te por entre marés sardas e ilhas suspensas em névoa. Lá onde o azul se engana e se esconde. Onde se precipita sobre o infinito. Até que por fim vieste. Sentaste-te ao meu lado, silencioso, e percorreste comigo o limite do horizonte. Sussurraste-me ao ouvido baixinho as cores que vestias nesse dia. Eu permaneci quieta. Atenta. Deixando que me envolvesses numa carícia muda onde cabem todas as palavras que não se proferem.
Foto daqui
Foto daqui
quarta-feira, 24 de março de 2010
Oniro
Soltam-se as cores que na noite procuraram refúgio
Guardas os sonhos em caixas de segredos
Que ternamente seguras nas mãos
Por entre paisagens a sépia, ainda acaricias o silêncio
Enquanto pousas no regaço o que sobrou do tempo
Guardas os sonhos em caixas de segredos
Que ternamente seguras nas mãos
Por entre paisagens a sépia, ainda acaricias o silêncio
Enquanto pousas no regaço o que sobrou do tempo
segunda-feira, 22 de março de 2010
Constatações #1
Jantaradas ao Domingo são uma óptima forma de terminar o fim-de-semana mas uma péssima maneira de começar a segunda-feira.
domingo, 21 de março de 2010
Trovante - Um Caso Mais
Dei por mim muitas vezes a observá-la. Costumava ficar quieta, noite dentro com a música a tocar baixinho. Havia uma sombra no seu olhar, que a lua alimentava e ao dia escondia. Sou um caso mais, dizia por fim…
quinta-feira, 18 de março de 2010
Do silêncio #3
Foto daqui
Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,
e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,
quando azuis irrompem
os teus olhos
e procuram
nos meus navegação segura,
é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
pelo silêncio fascinadas.
Eugénio de Andrade
quarta-feira, 17 de março de 2010
Minimal thoughts #1
Se reduzir tudo ao mais pequeno detalhe, constato que este intrincado puzzle a que chamo vida obedece a uma lógica superior que não abarco.
terça-feira, 16 de março de 2010
Um dia mudo de vida...
...hoje é o dia.
Admiro as pessoas que conseguem mudar de vida, de cidade e de trabalho com a confiança de quem conquista o mundo.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Dos bons sentimentos
Dos que não se pedem mas que se soltam sem esperar retorno. Dos que não têm hora ou momento certo para virem ao nosso encontro. Dos que não se escondem atrás de máscaras cansadas e distantes. Dos que se renovam se pedir licença, espaço ou sentido. Dos que nos surpreendem pela entrega minimal, sentida e simples. Dos que nos transportam para lá do nosso pequeno mundo. Dos que nos acolhem no olhar, no riso e no silêncio.
É nestes sentimentos que o tempo se sustenta, quando cansado se senta na beira da estrada…
Foto daqui
É nestes sentimentos que o tempo se sustenta, quando cansado se senta na beira da estrada…
Foto daqui
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
The Go! Team - Doing it right
Um daqueles dias em que a única coisa que apetece é chegar a casa, descer ao rés-do-chão (que é como quem diz descalçar-me), pôr música bem alta, dançar como se não houvesse amanhã e esquecer-me do resto do mundo lá fora, bem ao jeito de Anatomia de Grey.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Termo incerto
Às vezes chega-se ao fim… Chega-se ao fim sem se saber que tudo já terminou muito antes. Sem se saber que o único caminho que resta é o da subida. Às vezes chega-se ao fim da força muda, dessa força que não existe a não ser num espelho que não nos reflecte. Sim, às vezes chega-se ao fim de nós, ao fim das palavras, ao fim do silêncio e da cor. Ao fim dos recomeços, dos avanços e recuos, das sombras e dos desenhos a carvão. Do espaço que não é teu, nem meu, nem tão pouco dos outros ou nosso apenas. Às vezes chega-se ao fim do ser num tempo que já não é este, é outro diferente, maior e inteiro. Do tempo suspenso, intemporal, imutável contado a partir das pedras que compõem os sonhos e devaneios. Às vezes chega-se ao fim do que temos. De tudo o que somos. Do que quisemos ser. Do que imaginámos que seriamos. Do que gostaríamos que fosse. Sim, às vezes chega-se lá…
Foto daqui
domingo, 17 de janeiro de 2010
Do número 2
Dois encontros com quem há muito não via. Dois momentos distintos no tempo. Dois dedos de conversa para pôr alguma coisa em dia. Duas formas de estar completamente diferentes. Duas etapas de vida regidas pela lógica de cada idade. Duas constatações: que estou diferente e que continuo igual a mim mesma. Duas coincidências. A mesma conclusão.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
...
Na lista dos teus fins venho no fim
de uma página nunca publicada,
e é justo que assim seja.
Embora saiba
mexer palavras, e doer de frente,
e tenha esse talento conhecido
de acordar de manhã, dormir à noite,
e ser, o dia todo, como gente,
nunca curei, como previa, a lepra,
nem decifrei o delicado enigma
da letra morta que nos antecede.
Por muito te querer, talvez pudesses
dar-me um lugar qualquer mais adiante,
despir-te de pudor por um instante
e deixá-lo cobrir-me como um manto.
de uma página nunca publicada,
e é justo que assim seja.
Embora saiba
mexer palavras, e doer de frente,
e tenha esse talento conhecido
de acordar de manhã, dormir à noite,
e ser, o dia todo, como gente,
nunca curei, como previa, a lepra,
nem decifrei o delicado enigma
da letra morta que nos antecede.
Por muito te querer, talvez pudesses
dar-me um lugar qualquer mais adiante,
despir-te de pudor por um instante
e deixá-lo cobrir-me como um manto.
António Franco Alexandre
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Não é possível ficar indiferente
Às imagens e noticias que chegam do Haiti. Para quem está longe da catástrofe fica uma desconfortável sensação de impotência. O pensamento paira sobre esta efemeridade que é a vida humana e do que dela fazemos. No tempo que perdemos nas pequenas coisas que afinal não são mais do que apenas isso: pequenas. Às vezes tão pequenas que constrangem quando para trás olhamos. E com o tempo que com elas perdemos. Tanto. Demasiado. E pesam, muito. Não passam numa sucessão de nadas que somados não dão coisa alguma e no entanto insiste-se sempre, uma vez e outra mais. Para quê? Hoje estou aqui, amanhã não sei. Entre o agora e o amanhã cada vez mais escolho ser apenas. Sem egoísmos ou falsos altruísmos, que não são mais do que a outra face da mesma moeda. Sou. Apenas isso. Para que no dia em que feche os olhos não me pesem os nadas. Para que o que sou seja suficiente para sentir que valeu a pena.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Do silêncio #2
Entre a folha branca e o gume do olhar
a boca envelhece
Sobre a palavra
a noite aproxima-se da chama
Assim se morre dizias tu
Assim se morre dizia o vento acariciando-te a cintura
Na porosa fronteira do silêncio
a mão ilumina a terra inacabada
Interminavelmente
a boca envelhece
Sobre a palavra
a noite aproxima-se da chama
Assim se morre dizias tu
Assim se morre dizia o vento acariciando-te a cintura
Na porosa fronteira do silêncio
a mão ilumina a terra inacabada
Interminavelmente
Eugénio de Andrade
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